Protesto de Black Blocs acaba com 1 preso em SP

Grupo de manifestantes chegou a bloquear pistas da Consolação e da Paulista

Bruno Deiro e Ricardo Brandt / CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

06 de setembro de 2013 | 02h02

No fim da tarde desta quinta-feira, 5, um protesto de Black Blocs que tinha como principal alvo o governador Geraldo Alckmin terminou com um preso na capital paulista. A manifestação, que partiu do Teatro Municipal, no centro da capital, chegou a bloquear a Avenida Ipiranga, a Rua da Consolação e a Avenida Paulista.

De acordo com a Polícia Militar, o manifestante foi detido próximo do Cemitério da Consolação, pouco depois das 20 horas, ao tentar subir no capô de uma viatura, que estaria a caminho de uma ocorrência. Segundo a PM, o rapaz de 27 anos foi encaminhado primeiramente para o 1.º Distrito Policial, na Liberdade, e depois acabou levado para o 8.º DP, no bairro do Belém, zona leste. Lá, até o fim da noite de ontem, estava prestando depoimento e assinaria um termo circunstanciado por desacato, antes de ser liberado.

O protesto começou por volta das 18 horas na região central da cidade e durou pouco mais de quatro horas. Segundo a PM, chegou a ter 200 participantes.

Entre as principais reivindicações do grupo estavam a saída imediata do governador e a apuração das denúncias de formação de cartel nas obras do metrô de São Paulo. Parte dos manifestantes era integrante do movimento Ocupa Alckmin, que desde o começo de agosto está acampado na frente do Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, zona sul, para pedir a saída do governador paulista.

Com diversos mascarados e integrantes dos Black Blocs, o ato também pedia a suspensão da proposta do governo do Rio que tenta proibir o uso de máscaras durante protestos.

Nas redes sociais, grupos ligados ao protesto afirmaram que um skinhead também teria sido detido pela polícia na Avenida Paulista, depois de agredir verbalmente um dos manifestantes. A PM, no entanto, não confirmou essa informação.

Sem máscaras. A Justiça proibiu no interior de São Paulo que manifestantes usem máscaras em protestos e manifestações nas rodovias administradas pela concessionária Rota das Bandeiras, responsável pela D. Pedro I e pela Professor Zeferino Vaz (SP-332), que teve uma praça de pedágio incendiada durante ato em junho deste ano.

A Vara Cível de Cosmópolis, no interior de São Paulo, concedeu a medida cautelar anteontem, em pedido feito pela Rota das Bandeiras. Quem descumprir a decisão será levado para a delegacia.

A juíza Maria Thereza Nogueira Pinto ressaltou em sua decisão que o pedido "se torna relevante na medida em que tem sido comum manifestantes passarem a cometer crimes de dano, ou até mesmo crimes mais graves, aproveitando-se da situação e da dificuldade em se identificar os autores dos delitos".

Ontem, um grupo de cem manifestantes fez um protesto às margens da SP-332, em Cosmópolis, contra a cobrança do pedágio ponto a ponto, do governo do Estado. A Polícia Rodoviária afirmou que avisou os manifestantes e ninguém protestou de máscara. A Rota das Bandeiras informou, em nota, que "respeita as manifestações democráticas pacíficas, mas repudia ações de vandalismo".

Lei. Em Campinas, a Câmara Municipal também vai analisar um projeto de lei proposto pelo presidente da Casa, Campos Filho (DEM), que proíbe o uso de máscaras em manifestações. Segundo o projeto, será garantido o direto constitucional à reunião pública para manifestações que ocorrerem "pacificamente; sem porte ou uso de quaisquer tipo de arma, em locais abertos, sem uso de máscaras nem quaisquer peças que cubram o rosto ou dificultem a identificação".

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