JF Diório/Estadão
JF Diório/Estadão

Protesto contra falta d’água reúne CUT, MST e simpatizantes do PT

Ato, na frente da Praça da Sé, teve ‘dança da chuva’ de índios e cartazes contra o governo estadual

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

21 de outubro de 2014 | 21h11

SÃO PAULO - Um protesto contra a falta de água em São Paulo reuniu nesta terça-feira, 21, cerca de cem pessoas na frente da Catedral da Sé, na região central da capital paulista. Entre os manifestantes, havia gente com touca de banho pedindo água a um homem fantasiado de São Pedro. “No Nordeste, ninguém mais me aborrece. Mas aqui em São Paulo todo dia tem uma reza, uma cartinha”, brincou ele. O ato começou por volta das 16 horas e durou cerca de duas horas, terminando às 18h com uma dança da chuva.

Por toda a praça, os manifestantes colocaram placas e colaram cartazes em alusão ao governo estadual, como “Cadê a água, governador?”, “Não falta água no Palácio dos Bandeirantes, mas na nossa casa pode faltar” e “Em terra de tucano quem toma banho é rei”. Eles também espalharam galões de 20 litros vazios para que “a chuva, caso viesse, pudesse enchê-los”. Duas pessoas seguravam baldes e, de joelhos, fingiam implorar água a São Pedro. Com um cajado na mão, ele lamentava não poder ajudá-los.


O ato contou com integrantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), Levante Popular da Juventude, Central de Movimentos Populares e simpatizantes do Partido dos Trabalhadores (PT). Os manifestantes balançavam bandeiras vermelhas com o nome da candidata a reeleição à Presidência pelo PT, Dilma Rousseff.

Um dos presentes, o deputado estadual Adriano Diogo (PT) falou que é preciso “reagir” à falta de água: “Precisamos reagir a esse muro de silêncio que se construiu em torno do desabastecimento. Não há nada mais cruel do que transformar um bem essencial em mercadoria inacessível à população brasileira”.

O presidente da CUT, Adi dos Santos Lima, afirmou que se vive hoje uma situação de “calamidade pública” e que mais protestos deverão ser marcados na semana que vem. “Teremos de voltar às ruas depois das eleições para continuar falando da falta de água. Pode ser que os cortes piorem depois do dia 26. Nós, dos movimentos sociais, temos consciência do nosso papel e vamos continuar nas ruas”, disse.

Uma das representantes do Levante Popular da Juventude convidou a cantar: “Se a água acabar, São Paulo vai parar”.

Dança da chuva. Lima lembrou que, em seguida, uma dança da chuva seria feita para tentar aliviar a situação de seca. “Todas as rezas são bem-vindas neste momento. Todos os credos precisam dar as mãos”, explicou. Índios guaranis da aldeia Tenondé Porã, que vivem em Parelheiros, na zona sul da cidade, foram os responsáveis pela dança.

O cacique Tupã convidou a abrir uma roda e as crianças da aldeia ficaram no meio, entoando cantigas e dançando por cerca de 20 minutos. Mas, embora o céu tenha nublado, os pingos não vieram.

Benefícios eleitorais. Em nota, o governo do Estado disse “lamentar que entidades ligadas ao PT, financiadas com dinheiro do imposto sindical, usem a pior seca da histórica para conseguir benefícios eleitorais, a poucos dias da eleição”. 

Segundo o governo, “abastecimento de água é coisa séria e deve ser tratado com a união de todos”. “A população tem dado sua contribuição e o governo está enfrentando a crise com responsabilidade e transparência”, diz a nota.

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