Protesto contra despejo trava Marginal

Moradores de favela querem diálogo com a Prefeitura e bloquearam a Tietê, sentido Ayrton Senna; lentidão na cidade chegou a 204 km

CAIO DO VALLE, O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2013 | 02h11

A ameaça de despejo de centenas de famílias de uma favela sob a Ponte Estaiada Governador Orestes Quércia, na região central de São Paulo, levou moradores da comunidade a bloquear um sentido da Marginal do Tietê ontem à tarde, como protesto. Por volta das 16h, a lentidão atingiu 10,8 km na via, até as imediações da Rodovia Castelo Branco, na pista sentido Ayrton Senna. Na cidade, a lentidão foi de 204 km, às 18h.

Os ocupantes do terreno querem uma solução da Prefeitura, que já pediu a reintegração de posse do local.

Para dispersar os manifestantes, que queimaram pneus e pedaços de madeira de forma pacífica, a Polícia Militar atirou diversas bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral. Uma criança teria sido ferida na cabeça e uma mulher grávida passou mal após inalar a fumaça. "A ação da polícia foi violenta. Ninguém daqui provocou ninguém, somos trabalhadores e só fechamos o trânsito para chamar a atenção para o nosso problema, que é grave", disse o reciclador Henrique Nascimento, de 35 anos, que vive com a família no local.

Os bloqueios começaram por volta das 13h30 e terminaram às 16h10. Alguns moradores afirmaram que agentes em uma viatura da Polícia Civil, que escoltava um camburão com presidiários, atiraram com armas de fogo contra o asfalto para assustar os manifestantes e conseguir passar. A informação não foi confirmada pela Secretaria da Segurança Pública.

Apavorados, motoristas furavam o bloqueio dos moradores em meio ao fogo.

De acordo com a telefonista Jacira Caetano Cardoso, integrante da comissão de moradores, há 650 famílias na comunidade, que surgiu há apenas quatro meses sob parte da estrutura da ponte, entre a pista local da marginal e a Avenida Presidente Castelo Branco. A reportagem esteve lá e encontrou muitas crianças (três bebês já nasceram dentro da comunidade, apelidada de 'Estaiadinha').

Pela manhã, uma reunião entre representantes de moradores com o secretário municipal da Habitação, Floriano de Azevedo Marques, não deu resultado. O dirigente afirmou que a reintegração de posse do terreno não seria desmarcada: ela estava prevista para a madrugada da próxima segunda-feira, com apoio da PM. Mas uma liminar obtida à tarde pelos moradores na Justiça suspendeu a ação por 90 dias. A gestão Haddad informou, em nota, que "estuda a apresentação de recurso".

Os ocupantes alegam que só 450 das 650 famílias haviam sido cadastradas para participar de programas habitacionais da Prefeitura. "Agora, a Defensoria Pública do Estado vai buscar um terreno que sirva de alojamento provisório, até que saia o atendimento habitacional definitivo prometido pela Secretaria de Habitação para 2016", afirmou a assistente social Carolina Tripoli, do Escritório Modelo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), que auxilia a Defensoria. Ela explicou que é arriscado os moradores ficarem no terreno, entre duas pistas expressas.

Congestionamento. O trânsito travado na marginal prejudicou quem tinha pressa para chegar ao seu destino. Caso do gerente de vendas checo Ondrej Procházka, de 40 anos. Ele tinha um voo para a Alemanha marcado para as 16h50, saindo do Aeroporto Internacional de Guarulhos. Às 15h35, estava em pé na calçada, fora do táxi, por causa do trânsito. "Vou ter de desembolsar 200 para conseguir trocar para outro voo." / COLABOROU ALLAN NASCIMENTO

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