TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO - 15/03/2022
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Moradores de Artur Alvim reclamam de alagamentos após realização de obra emergencial

Nesta terça-feira, manifestantes bloquearam a Radial Leste no sentido centro; Prefeitura de SP afirma que realiza ações para normalizar o sistema de drenagem do bairro

Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2022 | 09h04
Atualizado 15 de março de 2022 | 16h40

SÃO PAULO - Moradores de Artur Alvim, na zona leste de São Paulo, convivem com alagamentos provocados após a realização de uma obra emergencial da Prefeitura de São Paulo nas proximidades do bairro. Na segunda-feira passada, 7, uma cratera foi aberta quando uma galeria pluvial se rompeu sob a Linha 11-Coral da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que passa pela região. As obras foram finalizadas na quinta-feira, 10, mas, desde então, a água da chuva não está escoando corretamente. 

Nesta terça-feira, 15, manifestantes interditaram a Radial Leste, no sentido do centro, em protesto contra as enchentes provocadas na segunda-feira, 14. Moradores e comerciantes cobram solução definitiva para o sistema de drenagem.

Dona de uma padaria na Avenida Doutor Luís Aires (Radial Leste), número 1.142, há vinte anos, Laura Maria Oliveira, de 56, está indignada com os danos provocados. "A gente perdeu tudo. E agora estamos correndo e já desesperados porque parece que vai chover novamente", disse. 

No local, onde trabalham quase vinte pessoas, tudo foi levado pela enchente, de móveis até mantimentos. "Parece que passou um terremoto. Nunca vi algo tão assustador. Nunca tinha acontecido isso. Com certeza, tem relação com a galeria de água da Prefeitura. Espero que as autoridades tomem providências o quanto antes para evitar mais transtornos", pediu a comerciante.

"Eu havia comprado sacos de farinha, por causa do aumento previsto. Estava com estoque bom, mas perdi tudo. Toda minha mercadoria está condenada", lamentou.

Morador há 35 anos na região, João Alexandre da Silva, presidente da Associação dos Mutuários e Moradores da Cohab I, de 76 anos, também lamenta os transtornos enfrentados nos últimos dias. Segundo ele, depois de quinze minutos de chuva, a água toma conta de vias e invade comércios e residências. A preocupação é que enquanto o problema de drenagem não for solucionado, os moradores estarão sujeitos a mais alagamentos.

“Os danos são incalculáveis. Tem uma padaria, uma banca de jornal e uma oficina mecânica. Tem o próprio condomínio que na segunda-feira foi prejudicado. A água entrou quase um metro dentro do condomínio. Era impossível transitar. Cada vez que chove, alaga tudo. Já tivemos esse problema com escoamento, mas nunca acumulou tanta água”, afirmou Silva.

Ainda segundo o presidente da Associação dos Mutuários e Moradores da Cohab I, na segunda-feira, 14, os alagamentos foram registrados principalmente nas proximidades da Radial Leste com Avenida Padre Estanislau de Campos, em Artur Alvim. 

“Desde que a galeria foi danificada, estamos enfrentando transtornos. Geralmente, depois que chove, demora, em média, duas horas para a água escoar. Mas na segunda, mesmo com bombas e equipamentos, nada estava adiantando. A entrada da Cohab I, pela Radial Leste, ficou totalmente alagada. Providências devem ser tomadas o quanto antes pela Prefeitura de São Paulo", cobrou Silva.

Em nota, a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (SIURB) afirma que está realizando ações para normalizar o funcionamento do sistema de drenagem do bairro com a implantação de uma passagem de água provisória para suprir a demanda da galeria danificada. Desde segunda-feira, equipes da SIURB trabalham no local.

“A galeria em questão recebe um alto fluxo de água proveniente de uma extensa bacia hidrográfica, com 750 mil metros quadrados de área”, disse, em nota.

Durante o ato na manhã desta terça-feira, os manifestantes colocaram fogo em pneus e lixos, impedindo a passagem de veículos na via. Para amenizar a situação, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) realizou um desvio no local. Desta forma, uma faixa da Radial Leste no sentido do bairro ficou liberada para ser usada por carros que seguiam no sentido do centro.

Na madrugada de sábado, 12, um novo trecho da linha da CPTM, entre as estações Corinthians-Itaquera e Tatuapé, apresentou erosão, por conta das fortes chuvas que atingiram a região. A concretagem desse trecho foi realizada no mesmo dia. 

“As equipes de zeladoria e limpeza estão atuando desde a noite de domingo, 13, na Avenida Doutor Luís Aires para drenar a água proveniente das chuvas com cinco bombas e permanecerão no local  enquanto o serviço for necessário”, afirmou a pasta.

Durante as chuvas dos últimos dias, foi ativado o bombeamento do piscinão Rincão reservatório para drenagem da água, que ocupou 72% da capacidade total do reservatório. Conforme a secretaria, nos dois primeiros meses deste ano, já foram recolhidos mais de 1,3 mil toneladas de detritos, contemplando 49.620 metros quadrados de área. 

Desvio de ônibus

A São Paulo Transporte (SPTrans) informa que foi normalizada a operação das quatro linhas que passavam na Rua Doutor Luís Aires, 1.800, em Artur Alvim, no sentido centro. Os desvios foram implementados na terça-feira, em razão de interferência na via.

Linhas que foram afetadas:

  • 3539-10 - CID. TIRADENTES -METRÔ BRESSER
  • 4310-10 - E.T. ITAQUERA - TERM. PQ. D. PEDRO II
  • 407P-10 - TERM. CID. TIRADENTES - METRÔ TATUAPÉ
  • 3721-41 - SHOP. ARICANDUVA - METRÔ ITAQUERA

Os trens da Linha 11-Coral da CPTM, que fazem o trajeto entre as estações da Luz e Estudantes, passam pela região afetada pelas fortes chuvas. O funcionamento está normal neste momento.

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