Marcelle Gutierrez/Estadão
Marcelle Gutierrez/Estadão

Protesto contra a alta da passagem bloqueia terminais em SP

Ônibus foram impedidos de entrar nos Terminais Pinheiros e Bandeira; Avenida Faria Lima foi totalmente interditada

Felipe Cordeiro, Felipe Resk e Tulio Kruse, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2016 | 09h37

SÃO PAULO - Dois protestos contra o aumento da tarifa do transporte público em São Paulo fecharam terminais de ônibus e interditaram vias na manhã desta segunda-feira, 11. Na região central, manifestação na Avenida 9 de Julho bloqueou a entrada dos coletivos no Terminal Bandeira. Já na zona oeste, outro grupo fechou o Terminal Pinheiros, caminhou pela Avenida Brigadeiro Faria Lima e a interditou totalmente em ambos os sentidos.

Segundo a Polícia Militar, os atos foram pacíficos - a corporação não estimou quantas pessoas participaram dos dois protestos.

De acordo com a São Paulo Transporte (SPTrans), o Terminal Bandeira foi bloqueado às 6h40, enquanto o Pinheiros, às 7h10. Os dois foram liberados por volta das 7h35. 

No Terminal Bandeira, o sistema de alto-falante alertava aos usuários do transporte público sobre os reflexos da manifestação contra o aumento da tarifa. "Devido à manifestação de estudantes na Avenida 9 de Julho, todas as linhas que trafegam por essa avenida estão operando com atraso", dizia a mensagem.

Às 8 horas, a 9 de Julho tinha 1,3 quilômetro de lentidão, no sentido centro, do terminal à Rua Barata Ribeiro, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Além de não permitir a entrada dos coletivos, o grupo bloqueou o acesso ao túnel sob o Vale do Anhangabaú. Alguns carros conseguiam passar lentamente pela faixa da direita da avenida.

Por causa do protesto, o autônomo Marlúcio Matos, de 31 anos, desceu do ônibus próximo ao Túnel 9 de Julho e foi a pé até o terminal. Ele tinha um compromisso na Defensoria Pública às 8h30, horário em que ainda aguardava na fila para embarcar.

Os imprevistos, no entanto, não foram motivo de reclamação para Matos. "Acho o protesto válido. É um absurdo ter de pagar um valor tão alto na passagem: o transporte de São Paulo não vale tudo isso", afirmou.

No sábado, 9, as tarifas de ônibus, trem e metrô em São Paulo passaram de R$ 3,50 para R$ 3,80. O aumento foi de 8,6%, abaixo da inflação - a previsão do Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) é de 10,72%. Com o aumento, as tarifas de integração subiram de R$ 5,45 para R$ 5,92.

Atrasado para o trabalho, o supervisor Márcio Soares, de 31 anos, estava mais preocupado. "Sempre tem algum tipo de problema quando você perde a hora no trabalho", disse. "O protesto atrapalha, mas o assunto envolve todo mundo. Se der resultado, melhor."

Zona oeste. No Terminal Pinheiros, manifestantes bloquearam a passagem de veículos próximo à entrada de ônibus na Rua Gilberto Sabino e provocou congestionamento na via e na Rua Sumidouro.

Os manifestantes caminharam e chegaram a bloquear totalmente a Avenida Brigadeiro Faria Lima em ambos os sentidos, na altura da Avenida Rebouças.

Passe Livre. Em sua página no Facebook, o Movimento Passe Livre (MPL) de São Paulo publicou fotos do ato, mas não afirmou se liderou os protestos da manhã desta segunda-feira. 

"Grupo fecha Terminais Bandeira e Pinheiros e adjacências. O recado é claro: R$ 3,80 o povo não aguenta. Transporte é direito e como tal não deve ser pago mediante tarifa", declarou o MPL.

O MPL aproveitou para convocar manifestantes para o "2º grande ato contra o aumento", que ocorre na tarde desta terça-feira, 12, com concentração às 17 horas, na Praça do Ciclista, no cruzamento da Avenida Paulista com a Rua da Consolação, região central.

Confronto. Na sexta-feira, 8, a primeira grande manifestação do MPL em São Paulo terminou em vandalismo e confronto, causado sobretudo pelo ataque de black blocs a policiais militares, e deixou um rastro de destruição pelas ruas do centro.

Todas as 17 pessoas detidas pela Polícia Militar suspeitas de participar de atos de vandalismo durante os protestos foram liberadas. Quatro haviam sido presas em flagrante por crimes de roubo, dano ao patrimônio qualificado e posse de material explosivo.

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