Proteção da Indy deixa pedestre sem calçada

Na Avenida Olavo Fontoura, na zona norte, pessoas andam ao lado[br]de carros e caminhões a 60 km/h; via era parte de trajeto de corrida

Rodrigo Burgarelli, O Estadao de S.Paulo

16 Março 2010 | 00h00

As proteções laterais construídas nas ruas ao redor do sambódromo do Anhembi para a Fórmula Indy acabaram trazendo insegurança para os pedestres que caminhavam pela Avenida Olavo Fontoura, na Casa Verde, ontem. Diversas pessoas andavam pela rua, entre os guardrails e os carros, num local sem acesso para as calçadas, sinalização, acostamento ou mesmo faixas delimitadas nas pistas.

A Avenida Olavo Fontoura margeia a parte norte do sambódromo e é um importante ponto de acesso para os funcionários do local. Mesmo assim, as estruturas metálicas - as mesmas que trouxeram segurança para os pilotos e espectadores da prova um dia antes - bloqueavam totalmente a calçada em um dos sentidos da pista. Para os pedestres, não havia nenhum tipo de alternativa sinalizada para andar em segurança.

O resultado é que diversas pessoas que caminhavam da Marginal do Tietê em direção ao bairro eram pegas de surpresa, tendo de caminhar ao lado de carros, ônibus ou caminhões que passavam a 60 km/h ou até mais.

"Eu não sabia que não dava para andar na calçada. Vim caminhando e, quando vi, não tinha para onde sair", disse Rosângela Frontaroli, que trabalha como segurança no portão 31 do Anhembi. Rosângela caminhou entre os carros e a proteção metálica por cerca de 1 quilômetro, até chegar à entrada do sambódromo. "Vim quase correndo por causa do medo de ser atingida pelos carros. É perigoso demais isso, eles deviam sinalizar melhor para os pedestres", afirmou.

O técnico em informática Bruno Fabiano estava indo prestar assistência técnica em uma empresa de helicópteros no Campo de Marte quando percebeu que não havia como passar pela calçada bloqueada pelos guardrails. "Não tem sinal, não tem faixa, não tem nada. E o engraçado é que não tem nenhuma sinalização dizendo que não dá para você passar, e também não criaram nenhuma passagem ali para o pedestre", reclama.

Sinalização. Para os motoristas também faltou sinalização nas faixas utilizadas no circuito da Indy, como na própria Avenida Olavo Fontoura e na pista local da Marginal do Tietê, ao lado do Anhembi. Carros que passavam pelo local tinham de diminuir a velocidade para evitar acidentes e as mudanças de faixa eram confusas na Marginal - onde o limite de velocidade é de 70 km/h.

Na Avenida Olavo Fontoura, não era difícil ver caminhões usados no desmonte da estrutura bloqueando uma ou duas pistas da avenida no acesso principal ao sambódromo, sem que houvesse qualquer tipo de aviso para os motoristas.

Segundo a Prefeitura de São Paulo, havia um faixa com cavaletes para segurança dos pedestres na Avenida Olavo Fontoura até domingo, que foi desmontada no fim de semana para a corrida e não pôde ser reinstalada, para não atrapalhar os trabalhos de desmonte. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) afirmou que voltará a montar a faixa improvisada para garantir a segurança dos pedestres.

Em relação à marcação das faixas, a CET informou que a pintura na Marginal do Tietê e na Avenida Olavo Fontoura está sendo realizada dentro do cronograma de serviços.

Indy. A primeira edição da Formula Indy em São Paulo trouxe grandes custos e benefícios. No total, foram R$ 20 milhões gastos nos 110 dias de preparação para a prova - R$ 12 milhões dos quais vieram de patrocinadores e R$ 8 milhões dos contribuintes paulistanos.

O pouco tempo disponível para realizar as obras necessárias teve como consequência problemas na qualidade do asfalto durante a realização da etapa da Fórmula Indy. Os treinos classificatórios de sábado tiveram de ser transferidos para domingo de manhã, a poucas horas do início da corrida.

No domingo, o problema foi a chuva. Poças d"água começaram a ser formar nas pistas e a competição chegou a ser interrompida por um certo intervalo de tempo. Mas, mesmo assim, a corrida aconteceu e 32 mil pagantes puderam assistir à primeira prova da temporada 2010, no recém-batizado Circuito do Anhembi.

Para a realização da corrida, cerca de 2,7 quilômetros de pistas tiveram de ser recapeados na Avenida Olavo Fontoura e na Marginal do Tietê.

Visibilidade. Segundo a SPTuris, o resultado de todo o investimento será medido no bolso de quem trabalha no setor de turismo - estima-se que a corrida tenha deixado R$ 120 milhões (ou seis vezes mais que o custo) na economia local graças às dezenas de milhares de turistas.

A Prefeitura também espera ter ganhado ainda mais visibilidade mundial, já que São Paulo se tornou a única cidade do mundo a ser a sede de etapas tanto da Fórmula 1 quanto da Indy.

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