Proprietário de lanchonete xinga cliente que fez críticas ao local

Jornalista foi chamada de 'palhaça' e 'sapatona' pelo dono da The Dog Haüs; ela criticou decoração considerada machista

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

06 Novembro 2015 | 08h30

SÃO PAULO - O dono da lanchonete The Dog Haüs, em São Paulo, chamou a jornalista Leka Peres de "palhaça" e "sapatona" depois de ela criticar o estabelecimento no Facebook, dizendo que o local tinha placas decorativas com conotação machista. Leka disse que pretende entrar na Justiça contra o proprietário.

No sábado, 31, a jornalista postou um comentário em seu Facebook sobre a unidade da lanchonete que fica no Itaim Bibi, zona oeste da capital paulista: "O The Dog Haüs tem o melhor hot dog de São Paulo e o atendimento é incrível. Mas eles acham que machismo é piada, apesar de que quando estive lá mais da metade das pessoas eram mulheres, muito triste. Vocês podem ser melhor que isso, por enquanto perderam uma cliente."

O The Dog Haus tem o melhor hot dog de São Paulo e o atendimento é incrível. Mas eles acham que machismo é piada, apesar...Posted by Leka Peres on Sábado, 31 de outubro de 2015

Leka se referia a duas placas instaladas nas paredes do local. Uma mostrava a inscrição "Homens: sem camiseta, sem serviço. Mulheres: sem camiseta, bebida de graça". Já a segunda trazia uma lista de valores a serem cobrados em caso de as namoradas ou mulheres dos homens no local ligarem para pedir informações sobre eles.

Na quarta-feira, 4, a página oficial da lanchonete no Facebook respondeu à publicação de Leka (segue texto na íntegra): "Caramba Qt gente infeliz nesse mundo, isso é decoracao bando de babaca, aqui repaeotos a todos, ficou ofendido??? Come HotDog em outro pico". A resposta da empresa provocou uma série de reações na rede social, alguns apoiando a jornalista e outros defendendo o estabelecimento.

A The Dog Haüs chegou a divulgar uma nota oficial para a imprensa sobre o caso no mesmo dia, em que informava que "a resposta dada à crítica da cliente não corresponde com o posicionamento da empresa" e que as devidas providências internas estavam sendo tomadas para que "tais fatos não ocorressem novamente".

Ainda, dizia, que a placa havia sido doada por um cliente e, para "evitar qualquer tipo de má interpretação, o item decorativo já foi retirado da loja".

Um tempo depois, o dono da rede de lanchonetes, Shemuel Shoel, enviou mensagens agressivas a Leka pelo Facebook. Ele a chamou de "sapatona mal educada", "palhaça de circo" e "putinha". E ainda disse: "vai colar velcro, querida. Não me enche o saco".

Leka reproduziu a conversa em seu perfil na rede social e escreveu que, até quarta-feira, estava levando o caso "na esportiva". "Mas agora fui ameaçada pelo dono do The Dog Haüs, que finalmente mostrou todo seu preconceito e ódio, pois se sentiu valentão depois de ler alguns comentários em seu favor. Pois não ficará impune", escreveu ela.

Procurado ao longo do dia, o The Dog Haüs não atendeu aos telefonemas e a página oficial da lanchonete no Facebook saiu do ar.

"Ainda não sei exatamente qual caminho tomar mas vou por vias legais até onde a lei me permitir", afirmou Leka à reportagem. "Já tinha acabado a situação e ele veio me procurar novamente. Tenho tudo marcado no Facebook", diz. Segundo a jornalista, apesar do susto o lado positivo foi ver a reação das pessoas. "Eu recebi muitas mensagens de apoio e foi legal porque não achei que fosse receber tanto apoio, foi bonito."

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