Propina em merenda teria sido de R$ 100 mi em 10 anos

Suposta ‘máfia da merenda’ teria repassado valores a servidores, segundo Promotoria

Adriana Ferraz,

25 de setembro de 2011 | 23h43

De acordo com o Ministério Público Estadual (MPE), a suposta máfia da merenda já pagou R$ 100 milhões em propina a funcionários municipais desde 2001, quando o esquema teria sido desenvolvido na capital. Ao todo, porém, mais de R$ 280 milhões teriam sido movimentados em notas frias, em 57 cidades e dois governos estaduais.

 

O cálculo foi feito a partir de documentos apreendidos em ações realizadas pela Promotoria e pelas Polícias Civil e Federal nas sedes das empresas investigadas e, em alguns casos, nas residências dos suspeitos.

 

No ano passado, em uma dessas operações, o empresário Eloízo Durães, dono da SP Alimentação, a maior do setor, chegou a ser preso em seu apartamento em Higienópolis, no centro. Ele é um dos suspeitos de comandar a suposta quadrilha.

Na lista de documentos apreendidos, há planilhas de pagamento que indicam o porcentual cobrado pelos servidores sobre o valor do contrato. "Em São Paulo, a propina representa até 10% do preço firmado com a Prefeitura para a oferta do serviço", explica o promotor de Justiça Silvio Marques.

 

As investigações do promotor também apontam que a máfia já pagou repasses fixos, de R$ 600 mil mensais, referentes a acordos firmados para fornecimento de merenda na capital. Em alguns casos, o dinheiro seria entregue, em mãos, aos servidores envolvidos. No interior do Estado, há relatos de que as remessas eram entregues diretamente a prefeitos.

 

O promotor afirma ainda que a estratégia municipal de implementar a "merenda mista" não altera o andamento do inquérito. "Os servidores que facilitaram o esquema serão processados por improbidade administrativa." Uma das principais provas do MPE são sete depoimentos dados por um empresário que fez acordo de delação premiada. Ele contou detalhes sobre os supostos pagamentos de propina em troca de receber benefícios como a redução da pena ou a exclusão de seu nome do processo.

 

A ação pode citar, além do prefeito Gilberto Kassab (sem partido), os ex-prefeitos José Serra (PSDB) e Marta Suplicy (PT) e pelo menos dois secretários municipais. Ao Estado, Marta afirmou que não ia comentar o caso. Serra não respondeu e Kassab disse, por meio de sua assessoria, que colabora com as investigações.

 

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