Robson Fernandjes/AE
Robson Fernandjes/AE

Pronto, viaduto da zona leste está sem acesso

Prefeitura concluiu obra do Complexo Padre Avelino, no Tatuapé, mas não conseguiu desapropriar casas onde serão construídas as entradas

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

19 Janeiro 2011 | 00h00

Depois de 18 anos de reivindicações, os moradores do Tatuapé, na zona leste, ganharam um viaduto para desafogar o trânsito da Radial Leste. Mas a nova estrutura estaiada de 160 metros de comprimento, construída sobre a Avenida Salim Farah Maluf a 65 metros de altura, não pode ser ligada ao sistema viário até que a Prefeitura consiga desapropriar cerca de 30 imóveis vizinhos. E alguns desses casos já são discutidos na Justiça.

No lugar das casas, parte delas localizadas na Rua Padre Adelino, o governo precisa construir as alças de acesso ao viaduto estaiado, pronto desde dezembro. Não há mais operários no local há duas semanas, o que deixa apreensivos comerciantes e moradores da região. Quem considerava a obra de R$ 130 milhões um novo cartão-postal para a zona leste agora teme que a ponte vire um "elefante branco" sem uso por vários anos.

"Faz mais de um mês que não há operários na obra. E muitos moradores das casas que serão desapropriadas já falaram que não querem sair e entraram com ações na Justiça. Agora o que era para valorizar toda a área pode causar degradação aqui no entorno", afirma o empresário Frederico Gelmires, de 53 anos, dono de duas pizzarias e de uma imobiliária no Tatuapé.

Gelmires acompanhou no dia 1.º de setembro a visita do prefeito Gilberto Kassab (DEM) às obras do viaduto. Na ocasião, o prefeito disse que a inauguração do conjunto, chamado Complexo Padre Adelino, poderia ser antecipada para o final de 2010. No dia seguinte, a primeira página do Diário Oficial da Cidade trouxe reportagem sobre o andamento da construção. A inauguração, prevista para março de 2011, deveria ser antecipada, diz o texto. "As obras estão quase prontas", declarou Kassab à época.

Agora, sem a possibilidade de construir as alças, o governo não tem mais data para os viadutos começarem a ser utilizados. Em nota, a Assessoria de Imprensa da Prefeitura limitou-se a informar que "os viadutos estão concluídos, faltando apenas as alças direcionais e o sistema viário de acesso das pontes, dependentes de desapropriações, cujo processo está em fase final."

O governo diz que 80% da obra está concluída, mas não informa, entretanto, quantos imóveis serão desapropriados nem quantos proprietários questionam a remoção na Justiça. "Acho que seria sensato a Prefeitura ter feito antes as desapropriações. Por quanto tempo vamos ter um viaduto sem uso?", questiona Tânia Maala, de 46 anos, dona de uma lanchonete na Praça Silvio Romero.

Trânsito. O Complexo Padre Adelino está entre as 223 propostas colocadas por Kassab no Plano de Metas 2009-2012. É uma reivindicação dos moradores da zona leste desde 1993. O viaduto também cria uma ligação entre o Tatuapé e a Mooca, bairros separados pela linha de trem.

Pela projeção da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), passarão pelo viaduto estaiado do Tatuapé cerca de 30 mil veículos por dia. Parte dos motoristas que vão usar o viaduto virá da Radial Leste, que tem fluxo de 120 mil carros/dia e é uma das vias mais congestionadas da capital paulista. A estrutura será estaiada, igual à da Ponte Octavio Frias de Oliveira, na Marginal do Pinheiros, mas menor. A ponte da zona sul tem 138 metros de altura, enquanto o viaduto da zona leste terá 65 metros, com 20 metros de largura e três faixas de trânsito.

PARA LEMBRAR

Obra recebeu recursos para córrego

Em agosto do ano passado, para acelerar as obras do Complexo Padre Adelino, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) transferiu R$ 6,7 milhões que haviam sido reservados no orçamento para a canalização do Córrego Ponte Baixa, na região de M"Boi Mirim. No início deste mês, o córrego transbordou e duas pessoas morreram. Segundo a Prefeitura, a transferência não comprometeu a canalização, que vai receber verba do governo federal.

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