Andre Lessa/AE
Andre Lessa/AE

Promotoria vê divergências entre depoimento de Lindemberg e de testemunhas

Para Daniela Hashimoto, Lindemberg premeditou o crime e já sabia o que ia acontecer no apartamento

estadão.com.br,

16 de fevereiro de 2012 | 11h11

Texto atualizado às 12h22

SÃO PAULO - Após cerca de uma hora e meia, a promotoria fez por volta das 11h40 a acusação contra Lindemberg Alves para o júri no Fórum de Santo André. Com o revólver usado para atirar contra Eloá Pimentel em mãos durante parte do debate, a promotora Daniela Hashimoto investiu o tempo que tinha para apontar as divergências entre os depoimentos do réu e das testemunhas de acusação que também foram feitas reféns.

Entre as questões apontadas pela promotora estão as afirmações de que Lindemberg não manteve os amigos da vítima – Nayara Fernandes, Victor Lopes e Iago Vilela de Oliveira – também reféns no apartamento e que não atirou contra o sargento da Polícia Militar Atos Valeriano, que negociou a libertação dos jovens.

No momento mais forte da explanação, com um revólver calibre .32 na mão, ela chegou a empurrar uma mesa e amarrar a mão de um jurado com um lenço para mostrar que Lindemberg poderia ficar o tempo todo com a arma em punho. O ato foi uma referência aos comentários da defesa durante o depoimento de Nayara de que era estranho ele amarrar os reféns e fazer tudo mais com a arma na mão, sem nunca soltar o objeto.

A promotora terminou o depoimento sempre de arma em punho, numa tentativa de provar que isso era possível.

Duas imagens. Daniela Hashimoto fez questão de desmontar a imagem de que Lindemberg havia ido para o apartamento de Eloá apenas para namorar. Segundo ela, o réu havia planejado o momento de acertar as contas com a menina. Para isso, ele chegou a levar Ederson Douglas Pimentel, o irmão mais novo da vítima, a um parque e deixou-o sem o celular para que não pudesse a avisá-la a tempo.

A promotora disse que os jurados teriam de decidir entre a versão Deum Lindemberg que se pinta como um rapaz bonzinho e a imagem de alguém dissimulado e manipulador.

Entre as declarações finais de Daniela, está a de que Lindemberg sempre quis matar Eloá. “A Eloá para ele nada mais era do que um objeto, não era a amada dele como ele dizia”.

Lindemberg acompanha os debates sentado no bancos dos réus.

Terceiro dia. Lindemberg Alves quebrou o silêncio. No terceiro dia de júri, o réu confessou ter atirado contra a adolescente após um movimento brusco da parte dela, mas não se lembra do disparo contra Nayara Rodrigues.

Segundo ele, o tiro contra Eloá foi dado depois que ouviu uma explosão na porta do apartamento em que mantinha a vítima refém havia mais de cem horas, em Santo André, no ABC. Ao ser interrogado, disse ainda que, durante todo o episódio, esteve nervoso, pressionado pela presença da polícia e ainda acreditando em uma suposta traição de Eloá.

Logo no início do interrogatório, Lindemberg se mostrou seguro e pediu perdão à família da vítima. 'Entendo a dor da dona Tina (Ana Cristina, mãe de Eloá) e aproveito a oportunidade para pedir perdão por tudo o que aconteceu, em público', disse.

Segundo dia. O depoimento do negociador do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), capitão Adriano Giovanini, causou um choque de versões. Mais de três anos após a morte de Eloá, no ABC, ele continua a afirmar que um disparo no apartamento motivou sua invasão pela Polícia Militar. Sua versão diverge do que relatou a única testemunha ocular, a estudante Nayara Rodrigues da Silva, que alegou que Lindemberg só atirou após ação do Gate.

Na parte da manhã, os depoimentos que mais chamaram a atenção foram os dos irmãos da vítima: testemunharam o caçula, Everton Douglas Pimentel e Ronickson Pimentel dos Santos. Em ambos os relatos, os garotos ressaltaram a agressividade e o desequilíbrio de Lindemberg em querer a posse de Eloá. 'Uma pessoa dessas não pode ser considerada ser humano. Podem dizer que era trabalhador, não importa. Ele não é digno de estar na sociedade'.

Primeiro dia. Na segunda-feira, a principal testemunha foi a de Nayara, amiga de Eloá. Emocionada ao relembrar da tragédia e mesmo confrontada pela advogada de defesa, Ana Lúcia Assad, ela garantiu que Lindemberg planejou o crime. Eloá 'não sairia de lá viva', segundo disse.

Foram ouvidos também os dois amigos de Eloá mantidos como reféns - Victor Lopes e Iago Vilela de Oliveira, ambos de 18 anos. Os dois confirmaram que Lindemberg tinha intenção de matar Eloá desde o início e relataram que foram agredidos pelo réu. Iago prestou depoimento na frente do acusado e afirmou que ele se 'gabava do poder' que adquiriu ao invadir o apartamento, no ABC paulista.

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