Promotoria quer retirar famílias do Cingapura

Ação apresentada ontem pede remoção dos moradores de área com metano em 5 dias

FELIPE FRAZÃO , CIDA ALVES , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2011 | 03h02

A Promotoria de Meio Ambiente do Ministério Público Estadual apresentou à Justiça ontem ação civil pública com pedido de liminar contra a Prefeitura, solicitando a remoção, em cinco dias corridos, de todos os moradores do Cingapura da Avenida Zaki Narchi. O conjunto é vizinho do Center Norte e tem o mesmo risco de explosão, segundo a Companhia Ambiental do Estado (Cetesb). Ontem, o shopping reabriu, com pouco movimento.

Segundo a Secretaria Municipal de Habitação (Sehab), 2.787 pessoas moram no Cingapura. A promotoria quer que todas as famílias sejam retiradas e realocadas em moradias que tenham as mesmas condições dos apartamentos em que vivem. As 155 crianças que estudam na creche da comunidade teriam de deixar as aulas imediatamente após o deferimento da ação pela Justiça.

Agora, a decisão está nas mãos do juiz da 10.ª Vara da Fazenda Pública. A ação deve ser julgada somente na semana que vem. A Prefeitura não foi notificada ainda e não quis comentar o caso.

A promotora que assina a ação, Claudia Fedeli, é a mesma que firmara um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a administração do Center Norte. Ela disse que não foi possível chegar a um acordo com o secretário municipal de Habitação, Ricardo Pereira Leite. Após receber prazo de 24 horas para dar início às medidas recomendadas pela Cetesb, a Sehab disse que começou a monitorar ontem os 140 apartamentos térreos e a creche do Cingapura.

Em reunião anteontem, Pereira Leite apresentou o plano de ação da Sehab para a área e prometeu entregá-lo dia 28. Mas não convenceu a promotora. Um parecer da Cetesb de 25 de agosto diz que técnicos encontraram sinais de uma fogueira feita sobre um poço de monitoramento de gás com pressão positiva e ligações elétricas irregulares - por meio das quais o metano poderia migrar para espaços fechados.

Claudia quer um documento assinado por técnicos ambientais que afastem o risco. "As informações fornecidas até agora não me pareceram satisfatórias para garantir a integridade dos moradores", alegou.

Center Norte. A instalação de 11 drenos no shopping para eliminar o gás metano do subsolo deixou os funcionários mais tranquilos, mas não foi suficiente para o movimento do shopping voltar ao normal. Após dois dias fechado por determinação da Prefeitura, o local foi reaberto ontem com poucos clientes e vendedores ainda arrumando mercadorias nas lojas. A situação foi igual no Lar Center e no Carrefour, que também tinham sido interditados.

"Vamos nos reunir com a administração para traçar um plano de recuperação", disse o presidente da Associação de Lojistas do Lar Center, Sidney Gonzales Junior. Não há como estimar o prejuízo.

Mesmo com o movimento fraco, a maioria das lojas não pretende, por enquanto, fazer promoções. "Vamos esperar para saber o que fará a administração do shopping e então seguiremos a mesma estratégia", disse Roberto de Almeida Barroso, de 56 anos, gerente de uma loja de moda masculina no Center Norte. Já a administração do Center Norte informou que já começou a fazer um planejamento de campanhas publicitárias.

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