Lincon Zarbietti/Prefeitura de Mariana/Divulgação
Lincon Zarbietti/Prefeitura de Mariana/Divulgação

Promotoria cobra obras em capela de Mariana

Órgão quer garantir reparação de igreja do século 18; estado do prédio é 'lamentável'

Eduardo Kattah / BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2010 | 00h00

O Ministério Público Federal (MPF) em Belo Horizonte ajuizou ontem ação civil pública contra a Arquidiocese de Mariana (MG), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha) cobrando a realização urgente de todas as obras e ações necessárias à conservação e reparação da Capela de Nossa Senhora do Rosário, em Mariana.

Construída no século 18, a igreja fica no distrito de Santa Rita Durão e encontra-se, segundo o MPF, em processo de inclinação e em "lamentável" estado de conservação. As peças de arte no interior do templo, com infiltrações e cupins, também estão comprometidas. O templo abriga obras de Aleijadinho e Manuel da Costa Ataíde.

Laudos técnicos do Iphan e do Iepha indicam que a inclinação da igreja é resultado do solo siltoso (com partículas menores que areia e maiores que argila) e da erosão provocada pela umidade, já que o terreno não tem escoamento adequado para a chuva. "Imóveis localizados nesse tipo de solo precisam de mais manutenção e cuidados", observou a autora da ação, a procuradora Zani Cajueiro Tobias de Souza.

Definitivo. Segundo a procuradora, "as soluções têm sido paliativas e, em alguns casos, totalmente inadequadas", conforme diagnosticou o próprio Iepha ao analisar uma intervenção conduzida pela Arquidiocese de Mariana em 2000. O MPF pede que a Justiça obrigue a Arquidiocese a apresentar, em 60 dias, projeto destinado à recuperação total da igreja e das obras de arte.

O cônego João Ribeiro, da Arquidiocese de Mariana, disse que a Igreja busca recursos para novas intervenções na capela. "O Ministério Público tem razão de se preocupar com isso, mas a arquidiocese é responsável por 133 paróquias." Segundo Ribeiro, a capela continua aberta e os problemas apontados não impedem a visitação. "A gente está atento e acompanhando o pároco nessa preocupação", disse.

Para Leonardo Barreto de Oliveira, superintendente do Iphan em Minas, a responsabilidade primeira de manutenção do monumento é de seu proprietário, a Arquidiocese. Oliveira disse que o instituto tenta há algum tempo arregimentar recursos para as obras, mas até agora não foi possível por causa das "limitações orçamentárias" do órgão.

Por meio de sua Assessoria de Imprensa, o Iepha informou que recebeu com "estranheza" a ação e disse que a Capela de Nossa Senhora do Rosário não se encontra em "estado de arruinamento". O instituto alega que faz vistorias periódicas no local.

A CAPELA POR DENTRO

A Capela de Nossa Senhora do Rosário foi erguida no século 18, mas sua história é bastante desconhecida. Com base em seu sistema construtivo, estima-se que ela tenha sido erguida na primeira metade dos anos 1700. Outra teoria trabalha com a hipótese de que tenha sido construída na segunda metade do século 18, conservando características arquitetônicas anteriores. Nos anos de 1957 e 1958, o Iphan restaurou a capela e refez uma das torres. De acordo com o órgão, a precariedade dos materiais originais da construção, estrutura de madeira com vedação em taipa de pilão e pau a pique, explica, em parte, a "necessidade periódica de obras".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.