Promotores pedem absolvição de PMs por 4 mortes no Carandiru

No último julgamento, os jurados absolveram outros 10 réus por 3 tentativas de homicídio

Luciano Bottini Filho, O Estado de S. Paulo

01 Abril 2014 | 15h18

SÃO PAULO - O Ministério Público Estadual (MPE) pediu aos jurados nesta terça-feira, 1, no último julgamento do Carandiru, que absolvam 15 PMs por quatro das oito mortes ocorridas no terceiro andar do Pavilhão 9, em outubro de 1992. A Promotoria pediu também que os réus sejam absolvidos pela acusação de duas tentativas de homicídio, porque as vítimas sobreviventes não compareceram ao julgamento. Os jurados têm autonomia, agora, para decidir se atenderão ao pedido quando for dado o veredito.

O júri entrou na tarde desta terça-feira na fase de debates. "Por fim, em relação às mortes por arma branca, peço que absolvam", disse o promotor Eduardo Olavo Canto. "Eu não posso desprezar o fato que os detentos possuíam armas brancas e que acertos eram realizados lá." Segundo Canto, essa foi a absolvição mais difícil de pedir em todos os julgamentos, já que alguns dos policiais afirmaram que portavam facas na ocasião, a única tropa a ter admitido isso. Eles também teriam baionetas nas pontas de fuzis.

Sobre as tentativas de homicídio, o fato das declarações das vítimas sobrevivente terem sido confusas, segundo a Promotoria, também influenciou na decisão de pedir absolvição. No último julgamento, os jurados absolveram outros dez réus por três tentativas de homicídio.

O júri entrou às 13h30 na fase de debates, com a Promotoria apresentando vídeos sobre o Carandiru e a violência policial.

Primeiro, será a vez dos promotores Márcio Friggi e Eduardo Olavo Canto. Eles terão duas horas e meia de argumentação. Em seguida, o defensor Celso Vendramini poderá falar por até mais duas horas e meia. A réplica, da acusação, e a tréplica, da defesa, poderão ter até duas horas cada, mas os dois lados podem dispensar essa etapa.

A expectativa do juiz Rodrigo Tellini é de ter um dia de audiência mais curta do que na segunda, quando a sessão começou por volta das 13 horas e foi até a meia-noite. Nesse período, foram ouvidas quatro testemunhas e interrogados todas os réus. Os debates poderão ser divididos em dois dias e, assim, é provável que o júri termine somente na quarta-feira, 4.

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