Promotores investigam como índia de 16 anos foi parar no RJ

Nativa de tribo da Amazônia, que teria problemas mentais, vagava sem rumo por Duque de Caxias

RIO, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2012 | 03h03

Os Ministérios Públicos Federal e Estadual do Rio de Janeiro investigam o que houve com uma índia de 16 anos, nativa de uma tribo na Amazônia, que foi encontrada há cerca de um mês vagando pelas ruas de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Havia suspeita de que a jovem teria sido estuprada, mas exame de corpo de delito atestou que não houve violência sexual.

O suposto estupro e abandono da jovem está sendo investigado pelo MP Estadual. O caso tramita em segredo de Justiça na Vara da Infância e Juventude de Caxias. Já o MPF investiga como a adolescente, da tribo andirá-marau, da etnia sataré-mawé, na divisa do Amazonas com o Pará, foi parar no Rio.

A indígena, que fala português precariamente e teria problemas mentais, foi achada por um caminhoneiro, que a entregou ao Conselho Tutelar de Caxias. No abrigo, a jovem contou que saiu há mais de um ano da sua tribo e foi para Brasília com um irmão, que era missionário da ONG evangélica Atini, que luta contra infanticídios em aldeias. Na ocasião, ela estava grávida e teve a filha em Brasília. A criança foi entregue para a adoção.

Em seguida, ela foi para Caxias, onde ficou hospedada na casa de uma missionária, ligada à ONG Jovens Com Uma Missão (Jocum). Segundo a Polícia Civil, a adolescente fugiu da casa. O nome da missionária não foi divulgado.

O Estado entrou em contato com um dos dirigentes nacionais da Jocum, o diretor operacional Gilberto Botelho de Mello. Ele informou que não tinha conhecimento do caso, que estaria sendo acompanhado por Cleonice Barbosa, da Jocum Porto Velho, responsável pelas questões indígenas. Cleonice não foi encontrada para falar sobre o caso. Nenhum responsável da Jocum no Rio quis comentar o episódio.

A presidente do conselho da Atini, Márcia Suzuki, confirmou, por e-mail, que conhece a jovem, mas que não tinha mais informações sobre o caso. A Funai disse que não foi informada pela ONG sobre a fuga da adolescente nem sobre o fato de ela ter sido abrigada em uma instituição municipal. O órgão iniciou uma investigação, que indicará para onde a jovem deve ser encaminhada.

Segundo a Funai, a terra indígena andirá-marau é regularizada e tem 788.528 hectares. Foi homologada em 1986. Do tronco linguístico tupi, são conhecidos como inventores da cultura do guaraná. / MARCELO GOMES e CLARISSA THOMÉ

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