Promotora não vê ação irregular da Rota

A promotora Francine Regina Gomes Cavallini afirmou ontem que, em princípio, vê legitimidade na ação dos policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) que terminou com nove mortos na terça-feira, em uma chácara em Várzea Paulista, na região de Jundiaí. Ela foi designada pela Procuradoria-Geral de Justiça para acompanhar o caso, ao lado da também promotora Patricia Tiemi Momma.

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2012 | 03h03

"Em princípio, a PM agiu de forma legítima. Não vejo conduta irregular por parte dos policiais, com a ressalva de que o inquérito ainda não se encerrou e que as investigações prosseguem. Precisamos estudar os laudos", afirmou Francine.

Segundo a promotora, o fato de terem ocorrido mortes em pontos diferentes e de criminosos que se entregaram serem presos com vida são indícios de que houve confronto. Sobre Maciel Santana da Silva, de 21 anos, "absolvido" pelos bandidos da acusação de estupro de uma menina no "tribunal do crime" e morto pelos policiais da Rota por supostamente ter reagido e disparado uma pistola 9 milímetros, Francine disse que ainda é preciso esclarecer a situação e saber também se ele era integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC).

O pai do rapaz, um serralheiro de 56 anos, disse que o filho tinha problemas psiquiátricos e com drogas e que não pertencia à facção criminosa.

Identidade. Um dos cinco suspeitos que sobreviveram à ação da Rota, Richard de Melo Mantelato, de 24 anos, apresentou aos policiais uma identidade falsa, em nome de José Edson Correa dos Santos. Ele foi descoberto por uma peculiaridade que confirmou as suspeitas de policiais da Divisão de Investigações Gerais (DIG) de Jundiaí: trazia o nome verdadeiro tatuado nas costas. Mantelato era chamado também de Magrelo. "Ele era realmente integrante do PCC e procurado pela Justiça por associação ao tráfico, flagrado em escutas telefônicas que mostravam isso", contou Francine.

Morto pela Rota e apontado como líder do PCC na região, Iago Felipe Andrade Lopes, o Príncipe, de 20 anos, também era conhecido da Promotoria. "O Iago começou (a ter problemas com a Justiça) na Vara da Infância, em oitiva informal sobre tráfico."

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