Promotor tenta ligar Bruno ao tráfico

No último dia de júri, réu disse que sabia que Eliza ia morrer; acusação pediu absolvição de ex-mulher, também no banco dos réus

MARCELO PORTELA E ALINE RESKALLA, O Estado de S.Paulo

08 Março 2013 | 02h09

CONTAGEM - O julgamento do goleiro Bruno Fernandes chegou ao fim ontem, com o réu admitindo que "sabia e imaginava" que a ex-amante Eliza Samudio seria morta, e a Promotoria pedindo aos jurados que o condenassem por todos os crimes. Já para a ex-mulher, Dayanne Rodrigues do Carmo, foi pedida a absolvição. O promotor ainda tentou ligar o ex-atleta do Flamengo ao tráfico. A sentença deveria ser divulgada até o início da madrugada.

Ontem, o dia começou com um pedido de reinterrogatório feito pela defesa dos dois réus. Dayanne apenas confirmou que recebeu telefonemas do então policial civil José Lauriano de Assis Filho, o Zezé, orientando sobre para quem deveria entregar o filho de Eliza e Bruno, quando tiveram início as investigações. Segundo Dayanne, Zezé agia por ordem de Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, braço direito de Bruno, condenado em novembro pelo assassinato e sequestro da vítima.

Dayanne contou também que tinha e tem medo do hoje ex-policial. "Pelo que Bruno falou, minhas filhas correm risco. Tinha medo e estou com medo agora, tanto dele (Zezé) quanto do Macarrão e da situação", declarou.

Bruno, por sua vez, afirmou que "sabia e imaginava" que Eliza seria morta quando deixou seu sítio em Esmeraldas, na companhia de Macarrão e de Jorge Rosa. Em depoimento na quarta-feira, o goleiro já havia assumido que a ex-amante foi assassinada e admitiu que "aceitou" e "se beneficiou" do crime, mas ressaltou que só soube do homicídio, que atribuiu a Macarrão e ao ex-policial Civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, após ter ocorrido. Ontem, em nova declaração, alegou que sabia que Eliza ia morrer "pelas constantes agressões" de Macarrão contra a moça e "pelo fato de ter entregado dinheiro para ela", que cobrava ajuda para cuidar do bebê.

Acusação. Os debates tiveram início apenas no fim da manhã, quando o promotor Henry Vasconcelos mostrou ser favorável à absolvição de Dayanne, mas pediu a condenação do goleiro por todos os crimes. Classificou ainda como "hipócrita" a alegação inicial da defesa de que não havia crime porque o corpo de Eliza nunca foi encontrado e salientou que todos os envolvidos são "calhordas" e "perversos".

Vasconcelos lembrou que a própria Eliza já havia procurado a polícia, denunciando agressões por parte do goleiro, então contratado pelo Flamengo, e ressaltou que o atleta propôs um acordo à ex-amante desde que ela retirasse a queixa. Segundo o promotor, "Bruno mandou, comandou e articulou seus funcionários, mulheres, primos e amigos" para matar Eliza.

Em outro momento, afirmou que Bruno era ligado ao tráfico de drogas e já teria sido visto algumas vezes em companhia de Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, um dos maiores traficantes do Rio.

Defesa. No meio da tarde, a defesa começou a expor sua tese, a de que Bruno teve participação de menor importância no crime. Mas o advogado Lúcio Adolfo aproveitou para fazer vários ataques às investigações e ao promotor, mostrando ter ficado irritado com o comentário de Vasconcelos de que a defesa do goleiro é uma "prostituta escarlate".

Adolfo fez diversas críticas ao que considerou "trambicagens" no processo, como falta de páginas, peças repetidas, além de "aceleradinhas" e outras irregularidades nas investigações.

Por fim, dirigindo-se aos jurados, o defensor destacou que "a imprensa" já sentenciou os réus e "espera a condenação" também por parte do conselho de sentença. Na sequência, distribuiu vendas às cinco mulheres e dois homens selecionados como jurados, lembrando que a Justiça "é cega" e pedindo imparcialidade ao grupo.

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