Promotor tenta ligar Bruno ao tráfico

Com o novo interrogatório dos réus, os debates finais do caso Bruno só tiveram início no fim da manhã, quando o promotor Henry Vasconcelos salientou que todos os envolvidos no crime são "calhordas" e "perversos". Em determinado momento, afirmou que Bruno era ligado ao tráfico de drogas e já teria sido visto algumas vezes em companhia de Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, um dos maiores traficantes do Rio.

O Estado de S.Paulo

08 Março 2013 | 02h01

Nas últimas falas, à noite, ainda tentou desconstruir a versão de que Bruno demorou a saber da morte de Eliza. "O réu teve a iniciativa de estabelecer vários contatos telefônicos para Macarrão, e não o contrário. Esse criminoso vacila, ele é o articulador, está no comando."

"Se o Bruno sair daqui solto ou em condições de ser solto, nosso País vai virar um cemitério de mulheres", completou na sequência José Arteiro Cavalcante, assistente de acusação.

Antes disso, a defesa já havia deixado clara uma linha de argumentação: a de que Bruno teve participação de menor importância no crime e, por isso, mereceria uma pena menor. Mas o advogado Lúcio Adolfo aproveitou seu templo em plenário também para fazer vários ataques às investigações e ao promotor, mostrando ter ficado irritado com os comentário de Vasconcelos de que a defesa do goleiro seria uma "prostituta escarlate".

Adolfo fez diversas críticas ao que considerou "trambicagens" no processo, como falta de páginas, peças repetidas, além de "aceleradinhas" e outras irregularidades nas investigações.

Por fim, dirigindo-se aos jurados, o defensor destacou que "a imprensa" já sentenciou os réus e "espera a condenação" também por parte do conselho de sentença. Na sequência, distribuiu vendas às cinco mulheres e dois homens selecionados como jurados, lembrando que a Justiça "é cega" e pedindo imparcialidade ao grupo. Na defesa final, antes que o júri definisse a sentença - por volta das 23 horas -, reiterou o apelo. "Digam não à turma que escolheu Barrabás. Façam Justiça."

O assistente de acusação no julgamento do goleiro Bruno Fernandes, advogado José Arteiro, disse que aposta "uma caixa de Brahma que o Bruno vai ser condenado". Ele ironizou declaração de um dos advogados de defesa, que disse no twitter, um dia antes de se tornar defensor do goleiro, que apostaria uma caixa de cerveja que o jogador seria condenado a 38 anos de prisão

julgamento do goleiro Bruno Fernandes chegou ao fim ontem, com o réu admitindo que "sabia e imaginava" que a ex-amante Eliza Samudio seria morta, e a Promotoria pedindo aos jurados que o condenassem por todos os crimes. Já para a ex-mulher, Dayanne Rodrigues do Carmo, foi pedida a absolvição. O promotor ainda tentou ligar o ex-atleta do Flamengo ao tráfico. A sentença deveria ser divulgada até o início da madrugada.

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