Promotor quer reverter alívio de prisão de acusada de morte

Justiça paulista concedeu prisão domiciliar a mulher acusada de assassinar dona de casa e sobrinho dela

Simone Menocchi, O Estado de S. Paulo

28 de outubro de 2008 | 19h45

O promotor de Justiça de Taubaté, Antonio Carlos Ozório Nunes, vai acionar o Ministério Público de São Paulo para tentar reverter a decisão do Tribunal de Justiça de conceder prisão preventiva domiciliar para uma advogada de Taubaté. Leonor Ataíde de Oliveira, de 64 anos, estava presa na penitenciária feminina de Tremembé acusada pela morte da dona de casa Selma do Carmo Gil Lange, de 47 anos, - assassinada na frente dos dois filhos adolescentes - e de seu sobrinho, Luiz Guilherme Gil, de 13 anos, nos dias 12 de maio e 12 de junho deste ano, respectivamente. Veja também:TJ-SP alivia prisão de acusada de matar dona de casaMulher nega ter planejado assassinato no interior de SPPresa quadrilha acusada de comprar precatórios em São PauloMãe é morta ao levar filhos para escola em Taubaté-SPExecutado sobrinho de dona de casa morta em Taubaté Segundo o promotor, os crimes teriam sido praticados com a ajuda do filho da advogada, Álvaro Marcondes Vieira e de mais seis pessoas que estão presas. "Foi um esquema diabólico porque ela (Leonor) queria evitar que a vítima divulgasse um grande esquema de compra subfaturada de milhares de precatórios em todo o Estado", diz. "Essa é uma medida que não existe na lei. Uma decisão inusitada", completou o promotor.  Leonor estava presa desde o final de setembro e seus advogados pediram a prisão domiciliar preventiva depois que ela sofreu uma isquemia e ficou com alguns problemas de locomoção. "Eu entendo que isso não seria motivo para ganhar a liberdade por meio de uma figura jurídica inusitada", considerou o promotor Leonor deixou a penitenciária na semana passada, depois de uma ordem dada 9ª Comarca Criminal do Tribunal de Justiça, encaminhada pelo juiz da vara do júri de Taubaté, Marco Antonio Montemor.  A advogada está em sua casa, localizada em uma área nobre de Taubaté, aparentemente protegida só por cercas elétricas. Além de pedir que Ministério Público de São Paulo entre com o recurso em Brasília suspendendo a decisão do Tribunal de Justiça, o promotor Antonio Carlos Ozório Nunes ainda quer que a Polícia Civil de Taubaté reforce a vigilância no imóvel. "Os familiares das vítimas estão extremamente com medo de sofrerem ameaças e novos atentados e tiveram até de se mudar para outra cidade", enfatizou Antonio Carlos Ozório. "O Tribunal não especificou como ela vai ficar presa ou por quanto tempo". Desde 2007, a família das vítimas sofria ameaças por telefones e os assassinatos foram antecedidos por ataques de bombas caseiras feitos à família das vítimas e os responsáveis foram recrutados pelo irmão da advogada. Selma foi alvejada por três tiros dentro de seu carro quando levava seus dois filhos para o colégio no Jardim Maria Augusta e Gil foi executado em frente à casa dele, no bairro Vila São Carlos, ambos por criminosos também contratados a mando de Leonor, conforme a acusação. Todo o esquema dos precatórios foi descoberto por Selma porque seu irmão, o taxista José Roberto Gil - que também é pai do menor assassinado - é ex-namorado e ex-motorista da advogada, que nega os fatos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.