Promotor quer R$ 1 mi de Thor por acidente

Além da condenação por morte de ciclista em rodovia, Ministério Público pede suspensão de CNH e entrega de alimentos para ONG de reabilitação

FÁBIO GRELLET / RIO, O Estado de S.Paulo

16 Maio 2013 | 02h03

O Ministério Público Estadual do Rio pediu a condenação de Thor Batista, filho do empresário Eike Batista, no processo em que ele é acusado pela morte do ajudante de caminhoneiro Wanderson Pereira dos Santos, atropelado por Thor em março de 2012.

O processo, que tramita na 2.ª Vara Criminal de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, está na fase de alegações finais. Em sua manifestação, apresentada no dia 9, o Ministério Público pediu a condenação de Thor, a suspensão de sua habilitação para dirigir e o pagamento de multa no valor de R$ 1 milhão, a ser convertida em alimentos para entidades de reabilitação de vítimas de acidentes.

Segundo a Promotoria, chegou-se ao valor de R$ 1 milhão porque é a quantia que consta de um acordo entre Thor, os familiares da vítima, o advogado e um bombeiro que teria ajudado a família. A Promotoria afirma que o acordo previa o pagamento de R$ 270 mil ao advogado da família, R$ 100 mil ao bombeiro e R$ 630 mil que seriam divididos entre uma tia e a companheira da vítima. Em depoimento dado à Justiça, Thor disse ter dado R$ 300 mil à família de Wanderson.

Para o Ministério Público, o réu "violou o dever objetivo de cuidado, agindo de forma imprudente" ao realizar ultrapassagens pela direita, fazendo "zigue-zague" na pista e em velocidade acima da permitida na via. A Promotoria entende que, se a pena privativa de liberdade for substituída por pena restritiva de direitos, Thor deve prestar serviços à comunidade, voltados para o auxílio e a recuperação de vítimas do trânsito.

Agora a defesa de Thor deve apresentar suas alegações finais. Só depois o juiz vai decidir o caso. A expectativa é de que a sentença seja emitida até o fim de junho. Ontem, advogados de Thor criticaram o pedido de condenação.

O acidente. Thor Batista atropelou e matou Wanderson, que tinha 30 anos e estava de bicicleta, enquanto trafegava pela Rodovia Washington Luís, em Duque de Caxias, em 17 de março de 2012. Acompanhado por um amigo, ele voltava de Petrópolis, na Região Serrana, dirigindo sua Mercedes-Benz SLR McLaren prata, ano 2006, avaliada em R$ 3 milhões.

Em depoimento à Justiça, Thor alegou que, quando viu Wanderson na pista com sua bicicleta, já não era possível evitar a colisão. Mas o filho de Eike afirma que trafegava dentro da velocidade permitida no local, de até 110 km/h. Laudo produzido pelo perito criminal Hélio Martins Junior indicava que Thor dirigia a pelo menos 135 km/h, mas o documento foi descartado pela Justiça depois que a defesa de Thor comprovou que o perito havia tido vários contatos com o promotor responsável por acusar o filho de Eike. Um segundo laudo indicou velocidade de até 115 km/h.

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