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Promotor quer proibir festa ‘open bar’ em Bauru

Ministério Público estuda dispositivo jurídico para vetar consumo de álcool à vontade após morte de aluno da Unesp

Chico Siqueira, ESPECIAL PARA O ESTADO

05 de março de 2015 | 03h00

BAURU - Promotores de Justiça de Bauru, no interior paulista, anunciaram que vão pedir a proibição de festas open bar na cidade. A informação foi divulgada quatro dias após a morte do estudante da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Humberto Moura Fonseca, de 23 anos. Nesta quarta-feira, 4, o laudo necroscópico surpreendeu a família do jovem, que descobriu que ele sofria de problemas cardíacos.

Fonseca morreu após participar de uma competição de resistência durante uma festa. Para os promotores, o sistema de venda open bar incentiva o consumo excessivo de álcool. 

Libório Nascimento, da Promotoria dos Direitos do Consumidor, disse que procura um dispositivo jurídico para pleitear a proibição, que deverá constar como resultado de inquéritos abertos contra festas clandestinas e sobre a morte de Fonseca e a internação de outros três estudantes.


“Sabemos que muitos jovens abusam da bebida por ela estar à disposição. Os consumidores também não conseguem checar a qualidade das bebidas servidas geralmente em copos descartáveis”, disse Nascimento. “Nosso objetivo é pedir o fim dessas festas para reduzir os riscos que a bebida, distribuída à vontade, pode causar ao público juvenil”, afirmou. 

Nesta quarta, os promotores pediram à Secretaria de Saúde de Bauru a lista dos estudantes que buscaram atendimento no sábado para formar a agenda de depoimentos de testemunhas. Além da Promotoria dos Direitos do Consumidor, os inquéritos também têm a participação das Promotorias de Habitação e Urbanismo e da Criança e do Adolescente. 

Surpresa. Os parentes de Fonseca não sabiam que o jovem tinha problemas cardíacos preexistentes. De acordo com laudo do Instituto Médico-Legal (IML), Fonseca era cardiopata - tinha o coração dilatado e estreitamento nas coronárias. Para os médicos-legistas, o consumo exagerado de álcool (25 doses de vodca) pode ter potencializado o problema, reduzindo a circulação do sangue para o coração e causando o enfarte. 

“Esse laudo nos assustou, porque nunca soubemos que meu irmão tivesse alguma doença, ainda mais do coração”, disse Henrique Moura Fonseca. Ele contou que exames eram feitos periodicamente por que seu irmão praticava esportes (basquete e muay thai) e nunca havia sido detectado nenhum problema no jovem. “Em nenhum deles foi registrada qualquer anormalidade”, afirmou. 

O resultado do exame, porém, não altera a linha de investigação da Polícia Civil, que apura contra os estudantes Luís Henrique Menegatti, de 22 anos, e Gabriel Juncal Pereira, de 25, organizadores da festa, crimes de homicídio e três lesões corporais com dolo eventual. Para o delegado Kleber Granja, eles assumiram os riscos ao fazer a festa sem alvará. O advogado de defesa, Luiz Celso de Barros, não foi localizado para comentar o assunto.

Alta. Nesta quinta-feira, 5, a estudante Gabriela Alves Correa, de 23 anos, deve receber alta do Hospital Estadual Bauru, onde está internada desde sábado. Outros dois universitários que estavam internados no Hospital da Unimed já foram liberados. 

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