Promotor que matou estudante a tiros critica a imprensa

Acusado de cometer assassinato, promotor diz que agiu em legítima defesa no dia da briga

23 de outubro de 2007 | 16h46

O promotor Thales Ferri Schoedl concedeu sua primeira entrevista. Ao Observatório da Imprensa, revista eletrônica especializada em analisar a atuação da imprensa, o promotor criticou a postura de jornalistas e diz que sua versão dos fatos não foi respeitada.   Thales matou a tiros, em 2004,  o estudante Diego Mendes Modanez, de 20 anos, e ter ferido o estudante Felipe Siqueira Cunha de Souza, que na época tinha 20 anos, na saída de uma festa, na Riviera de São Lourenço, no litoral de São Paulo. Ele alega legítima defesa.     Segundo o promotor, vários elementos que comporiam sua defesa não foram divulgados pela imprensa, que teria privilegiado apenas informações parciais. Uma dessas críticas é relacionada à divulgação de um exame psicológico feito no promotor. "Não foram divulgadas as minhas qualidades. Todo ser humano que se submeta a um exame psicológico, este exame irá apontar, com certeza, defeitos e qualidades. E somente os meus defeitos foram demonstrados de forma descontextualizada. Porém constavam do laudo qualidades como empenho, motivação, vontade de vencer, disciplina e diplomacia nos contatos. E o resultado final foi que eu estava apto ao cargo com conceito bom", afirma Schoedl.   Sobre o dia em que Mondanez morreu, Thales afirma que várias "inverdades" teriam sido reproduzidas. "Foram ditas muitas inverdades sobre vários aspectos, e é isso que acaba incomodando. Incomoda a mim, os meus familiares, meus pais estão sofrendo, meus irmãos, amigos. Não tem uma pessoa que, após ler os autos - eu costumo levar os depoimentos para os amigos, as pessoas próximas lerem - , todos ficam espantados, porque criou-se uma versão inicial de que eu efetuei 12 disparos contra pessoas que mexeram com a minha namorada, e isso nunca aconteceu", reclama.   O promotor também critica a atuação do Conselho Nacional do Ministério Público, que suspendeu liminarmente a decisão de vitaliciamento no cargo, que foi tomada pelo Órgão Especial do Ministério Público de São Paulo. "Eu respeito a posição do Conselho, embora não concorde. Agora cabe a mim exercer o meu direito de defesa no Conselho", diz, pouco antes de deixar um conselho aos jornalistas. "Respeito a profissão de jornalista. É importante para a democracia. Só espero que ajam com isenção e que, se possível, leiam o processo."   O desentendimento entre Schoedl e o grupo aconteceu em 2004 na saída de uma festa. O promotor disparou 12 tiros em Mondanez e Souza. Em depoimento, ele disse que voltava para casa com a namorada quando um grupo de mais de dez rapazes passou a mexer com a moça. Schoedl afirmou que agiu em legítima defesa.

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