Promotor não vai a júri após confissão do Maníaco de Guarulhos

Marcelo de Oliveira acredita que Leandro é o culpado pela morte e abuso de Vanessa e inocentou três presos

Bruno Tavares, de O Estado de S. Paulo,

10 de novembro de 2008 | 10h55

A família de Vanessa Batista de Freitas contratou um assistente de acusação para atuar no júri dos três rapazes acusados de violentar e matar a moça, em 2006. O criminalista Eugênio Malavasi vai sustentar que Renato Correia de Brito, William César Brito Silva e Wagner Conceição da Silva são culpados pelo homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima), apesar da suposta confissão de Leandro Basílio Rodrigues, chamado pela polícia de Maníaco de Guarulhos.   Veja também:  Vídeos reforçam dúvidas sobre o caso do maníaco    No domingo, 9, o Estado revelou que dois vídeos - um gravado pela Justiça e outro pelo Setor de Homicídios de Guarulhos - reforçam as dúvidas sobre a autoria do crime. Ao delegado, Rodrigues admitiu ter abordado e assassinado a vítima. Em depoimento ao juiz, o rapaz voltou atrás e disse que só confessou porque foi torturado.   "Espero que o promotor do caso atue a nosso favor", disse o pai da vítima, João Jerônimo de Freitas Borges. "Mas se ele resolver inocentar os três, o advogado vai fazer o papel da acusação." O julgamento dos três promete ser polêmico. Em setembro, após a suposta confissão de Rodrigues, os três rapazes foram colocados em liberdade. Eles passaram dois anos presos no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos. "Nossa convicção é de que o crime foi cometido pelos três mesmo. O maníaco disse que foi torturado para confessar", argumentou o pai da vítima.   O Ministério Público Estadual (MPE) não revela qual será a estratégia no júri, marcado para o dia 18. Mas o promotor que vinha atuando no caso, Marcelo de Oliveira, já adiantou que não vai participar do julgamento. "Já emiti minha opinião (de que os três são inocentes). Prefiro que um promotor isento participe desse júri."   Após a suposta confissão de Rodrigues, o MPE determinou a abertura de inquérito para apurar a denúncia de que os três rapazes haviam sido torturados para confessar o crime. No boletim de ocorrência do dia em que o corpo de Vanessa foi encontrado, o delegado Paulo Roberto Poli Martins escreveu que Renato confessou o crime "espontânea e voluntariamente" aos policiais que o prenderam. Também acusou o rapaz de ter tentado subornar os PMs com R$ 20 mil. William e Wagner, os outros dois acusados, sempre negaram participação no crime.

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