José Patrício/AE
José Patrício/AE

Promotor Igor é preso em São Paulo após oito anos foragido

Condenado por matar mulher grávida foi detido a partir de denúncia anônima; crime aconteceu em 1998

Marcelo Godoy, O Estado de S. Paulo

19 de outubro de 2009 | 16h55

O ex-promotor de Justiça Igor Ferreira da Silva, condenado em 2001 a 16 anos e quatro meses de prisão pela morte de sua mulher, foi preso em São Paulo na tarde desta segunda-feira, 19, na zona leste. O crime aconteceu em 1998. Desde que foi condenado, o promotor estava foragido.

 

A prisão foi feita a partir de uma denúncia anônima, segundo informou a delegada Adanzil Limonta, da equipe de Polícia Judiciária, em entrevista coletiva. A delegada disse ainda que só fez a prisão depois que ele próprio confirmou a sua identidade. A única exigência que Igor teria feito no momento da prisão foi a de ir para a delegacia no carro da delegada e não no da polícia.

 

Adanzil e o delegado seccional Nelson Silveira Guimarães atenderam a imprensa na sede da 5ª Delegacia Seccional, no bairro do Tatuapé, zona leste da capital paulista. Segundo o delegado, o ex-promotor está mais magro, mais calvo e está bastante abalado emocionalmente.

 

Na madrugada de 4 de junho de 1998, em Atibaia, Igor matou a mulher Patrícia Aggio Longo, 27 anos, grávida de sete meses, com dois tiros na cabeça na estrada de um condomínio. Ele alegou na época que fora surpreendido por um ladrão, que havia levado Patrícia como refém.

 

Em julho de 1998, Igor foi preso por porte ilegal de arma. Ele estava na casa de um irmão, em Mairiporã, na Grande São Paulo. Lá foram encontradas uma pistola 9 mm e cápsulas de uma 380, mas por fim o ex-promotor acabou sendo solto.

 

 

 

 

Igor desapareceu em abril de 2001, quando passou a ser procurado pela Divisão de Capturas da Polícia Civil. Notícias mostraram, sem comprovação, que ele teria sido visto em Santa Catarina, no Paraná e até mesmo no Paraguai.

 

A Procuradoria-Geral de Justiça denunciou o promotor por homicídio qualificado e por aborto. Em 18 de abril de 2001, foi condenado a 16 anos e quatro meses de reclusão pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo, com imposição de perda do cargo. Foi a primeira vez na história que um promotor foi julgado por homicídio perante o TJ.

 

A defesa tentou, em um recurso especial, a revisão do caso pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Mas a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça considerou válida a pena de mais de 16 anos de reclusão.

 

Em 2006, o Órgão Especial do TJ decretou a perda do cargo de promotor. O mandado de prisão do ex-promotor tinha validade até 17 de abril de 2021, quando então prescreveria a condenação.

 

Texto atualizado às 18h40.

 

(Com Eduardo Reina, de O Estado de S. Paulo, e Central de Notícias)

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