Promotor é acusado de atropelar e matar família em SP

Segundo a polícia, o homem estava dirigindo embriagado quando invadiu pista; vítimas morreram na hora

Chico Siqueira, do Estadão,

08 de outubro de 2007 | 11h41

O promotor de Justiça Wagner Juarez Grossi, 42 anos, foi acusado de dirigir embriagado e causar um acidente que deixou três pessoas mortas, na noite de domingo, 7, em Araçatuba, interior de São Paulo. O acidente aconteceu às 20h40, na rodovia Elyeser Montenegro Magalhães (SP-463). Grossi não pôde ser autuado por homicídio culposo ser preso em flagrante por pertencer ao Ministério Público.   O promotor, que dirigia uma caminhonete Ranger, voltava de um rancho às margens do rio Tietê, quando invadiu a pista contrária e bateu de frente numa motocicleta que vinha no sentido contrário. Na moto estavam Alessandra da Silva Santos, 27 anos, sua mulher, Alessandra Alves, de 26 anos, e a filho do casal, Adriel Rian Alves, 7 anos. Em conseqüência do impacto, os três morreram no local.   O acidente aconteceu na altura do jardim Verde Parque, um bairro residencial. Os moradores tentaram linchar o promotor. No plantão policial, o delegado Paulo de Tarso de Almeida Prado pediu exames clínicos e a perícia constatou que o mesmo estava em estado de embriaguez.   O promotor foi enquadrado no artigo 302 do Código Brasileiro de Trânsito combinado com inciso 5º, os quais determinam a prisão em flagrante do motorista que causou morte no trânsito e foi pego dirigindo em estado de embriaguez. Mas Grossi não pôde ser preso porque, conforme a Lei Orgânica do Ministério Público, o promotor só pode ser preso em flagrante se o crime foi inafiançável, o que não é o caso do artigo 302. Por isso, vai responder pelo crime na Procuradoria-Geral de Justiça.   Na manhã desta segunda-feira, 8, ninguém no Fórum de Araçatuba soube dar informações sobre o assunto. Uma assistente do Ministério Público informou que só no período da tarde o MP se manifestaria sobre o caso.   Coincidentemente, o promotor é o responsável pelo caso de dois jovens supostamente bêbados que, durante um racha numa avenida da cidade, feriram gravemente o filho de um juiz. A polícia pediu a prisão preventiva dos dois rapazes, mas Grossi negou a prisão alegando que a investigação estava incompleta.   Outros casos envolvendo promotores   Marcos Antônio da Silva Gonzaga   O promotor de Justiça Marcos Antônio da Silva Gonzaga, de 44 anos, é acusado de estuprar e ameaçar de morte uma adolescente de 16 anos residente em Itaberaba, a 266 quilômetros de Salvador, em 2002, quando era o promotor titular da comarca daquele município. Em setembro, uma comissão especial do Ministério Público (MP) da Bahia decidiu pela abertura de uma ação civil de decretação de perda do cargo contra ele.   O promotor foi afastado em 2002. No ano passado, foi julgado pelo Tribunal de Justiça (TJ) da Bahia e condenado a nove anos e meio de prisão. Ele recorreu da decisão, mas teve a apelação indeferida pelo TJ, que decretou sua prisão em julho. Desde então, ele está foragido. Apesar de afastado, Gonzaga tem recebido um terço do salário de promotor no Estado, o que resulta em uma remuneração de cerca de R$ 4 mil mensais.   Igor Ferreira da Silva   Até hoje a Polícia Civil não tem pistas sobre o paradeiro do promotor Igor Ferreira da Silva, condenado a 16 anos e 4 meses de prisão pelo assassinato da mulher, Patrícia Aggio Longo, grávida de sete meses. Igor está foragido desde 18 de abril de 2005, quando o TJ anunciou a sentença.   A polícia acredita que Igor está "bem escondido" em um único lugar e que "não sai nem para tomar sol". O crime ocorreu em 4 de junho de 1998, em Atibaia, a 60 quilômetros de São Paulo. Igor culpa um ladrão que teria abordado ele e sua mulher na rua.   Por ser promotor, filho e irmão de advogados, ele tem boas condições financeiras para se manter escondido. O Ministério Público Estadual suspendeu o pagamento do salário do promotor, de cerca de R$ 6 mil.   Thales Ferri Schoedl   Em dezembro de 2004, o promotor de Justiça Thales Ferri Schoedl foi preso em flagrante na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, acusado de matar o jogador de basquete Diego Mendes Modanez e ferir o estudante Felipe Siqueira Cunha de Souza. Schoedl disse que os rapazes assediaram sua namorada e garantiu que os 12 tiros disparados nos jovens foram em legítima defesa. Após 49 dias de prisão, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça lhe concede liberdade provisória.   Apesar de ter sido suspenso em 2005, Schoedl continuava a receber o salário de R$ 5,8 mil brutos. Em janeiro deste ano, porém, voltou ao cargo por força de uma liminar. Um mês depois, foi efetivado no cargo - o que faria com que ele ganhasse o direito a foro especial no julgamento e o livraria de ser submetido a júri popular. O Conselho Nacional do MP, porém, o suspendeu administrativamente.   Matéria ampliada às 19h17

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