Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Promotor diz que magistrada do AM deve 'despir a toga e varrer o chão'

Rogério Zagallo, do Tribunal do Juri de São Paulo, critica desembargadora suspeita de elo com facção do Amazonas ao justificar comentário polêmico que postou no Facebook

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

10 Janeiro 2017 | 00h08

SÃO PAULO - "Uma bandida dessa vai ter de despir a toga que veste indevidamente e varrer o chão". Foi com essa frase que o promotor Rogério Zagallo, da 5ª Vara do Tribunal do Júri de São Paulo, quis explicar um polêmico comentário que fez nas redes sociais sobre a desembargadora do Amazonas Encarnação das Graças Salgado, suspeita de ligação com a facção Família do Norte (FDN), responsável pelo massacre de 56 presos há uma semana em Manaus.

"Pela carinha, quando for demitida poderá fazer faxina em casa. Pago R$ 50,00 a diária", escreveu o promotor no domingo, 8, em um post no Facebook no qual o advogado Caio Arantes compartilhou uma reportagem publicada pelo Estado na sexta-feira, 6, revelando que grampos e apreensões feitas pela Polícia Federal apontavam relação da desembargadora com o crime organizado. A magistrada foi afastado do cargo pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O comentário de Zagallo foi divulgado ainda no domingo, 8, pelo site especializado Consultor Jurídico. Desde então, o promotor tem sido criticado por ter proferido insultos preconceituosos à desembargadora. Ao Estado, Zagallo negou que seu comentário tenha conotação discriminatória contra mulheres, faxineiras ou nortistas, mas fez duras críticas à magristada. A conduta dele será analisada pela Corregedoria do Ministério Público Estadual (MPE).     

"É um absurdo. Estão dizendo uma coisa que eu não falei. Deram uma interpretação que não existe", defende-se. "Quando eu disse 'carinha' não era uma alusão física, mas era sobre a foto, ela com a toga, proferindo um voto em um julgamento, posando como impoluta, mas enganando a população. É uma desembargadora que se vendeu para uma quadrilha que decapita pessoas. Tanto é que já foi afastada pelo STJ", afirma o promotor.

"Aquela pessoa que está ali, quando for demitida, vai ter de fazer faxina. Não que eu considere esse trabalho menos nobre, mas para ela, e para mais ninguém, será um demérito. Ela que vestiu uma toga e vai ter de vestir uma vassoura", disse. "Não fiz referência à condição de mulher, de empregada doméstica, de nortista. Não fui eu quem criou essa histórica de preconceito, que fez essa comparação. A maldade está no ouvido e não na boca", completa.

Reincidência. Essa não foi a primeira vez que Zagallo fez comentários pôlemicos nas redes sociais. Em dezembro de 2014, ele foi suspenso por 15 dias depois de ter postado uma mensagem considerada ofensiva pelo Conselho Nacional do Ministério Público. Durante um protesto contra o aumento das tarifas de transporte público, em junho de 2013, Zagallo chamou os manifestantes de bugios (primatas) e sugeriu que a a Tropa de Choque da Polícia Militar os matasse.

“Estou há duas horas tentando voltar pra casa, mas tem um bando de bugios revoltados parando a Avenida Faria Lima e a Marginal Pinheiros”, postou em sua página. “Por favor, alguém poderia avisar a Tropa de Choque que essa região faz parte do meu Tribunal do Júri e que se eles matarem esses filhos da puta eu arquivarei o inquérito policial.”

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