Promotor diz que 25% de unidades habitacionais de SP são para associações

De acordo com Mário Augusto Malaquias, a comercialização dos apartamentos, porém, é ilegal

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

21 Fevereiro 2014 | 16h24

O promotor de habitação e urbanismo, Mário Augusto Malaquias, que investiga denúncia de venda de apartamentos do conjunto habitacional do programa Minha Casa Minha Vida depredado em reintegração de posse na quinta-feira, disse, nesta sexta, 21, que 25% das moradias populares da cidade de São Paulo estão destinadas a associações para que elas indiquem os beneficiários que receberão as chaves. Segundo ele, esse dado foi passado pela Prefeitura de São Paulo e a prática é permitida pelo conselho municipal de Habitação.

O condomínio Caraguatatuba, que fica em Itaquera, na zona leste de São Paulo foi recuperado nesta quinta-feira, 20, após confrontos entre moradores e policiais.

Malaquias afirmou, porém, que a comercialização desses apartamentos é ilegal e está sendo investigada em inquérito civil. "As associações são legais, agora a cobrança do serviço, não. Temos denúncia de que pessoas tiveram acesso a uma unidade no condomínio Caraguatatuba, após pagar para associações", disse Malaquias.

Segundo ele, a denúncia que ele recebeu de moradores que foram desalojados será encaminhada à promotoria criminal para apurar a possível prática de estelionato.

O promotor disse que recebeu um ofício de uma associação chamada São Paulo Diferenciado dizendo que teria direito a indicar moradores para 60 vagas do conjunto habitacional em Itaquera. O condomínio foi invadido às 7h30 e retomado na quinta-feira, 20, após confronto entre moradores e a Polícia Militar. Ao menos 5 pessoas relataram ao Estado que pagaram até 10 mil reais pela chaves.

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