Promotor apura falha em bilhete único de São Paulo

'Estado' mostrou que cartões são vulneráveis a cópia de créditos por meio de programa de computador

Bruno Ribeiro, Nataly Costa e Rodrigo Brancatelli, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2012 | 22h49

SÃO PAULO - O Ministério Público Estadual vai investigar a falha de segurança que possibilita fraudes no bilhete único de São Paulo. O promotor público Valter Foleto Santin, secretário da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social, determinou que um promotor escolhido por sorteio fique responsável por abrir um inquérito civil para o caso. O sorteio será feito hoje.

Conforme o Estado revelou ontem, a empresa de segurança Pontosec, da Vila Romana, na zona oeste, desenvolveu um programa de computador que consegue copiar dados de um cartão de bilhete único e reinseri-los no mesmo cartão após o uso regular, permitindo que um cartão sem crédito libere catracas. Ontem, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) disse que a Prefeitura vai adotar medidas para impedir a prática, mas sem detalhá-las.

"Não é que o problema é de sistema. Quando você tem um sistema, se tiver uma empresa, ela investiga, investiga, uma hora ela consegue. Por isso permanentemente você tem de investir em segurança", argumentou o prefeito.

Novos cartões. A empresa São Paulo Transportes (SPTrans), que administra o bilhete único, planeja trocar todos os 25 milhões de cartões ativos da cidade ainda neste ano. A primeira audiência pública sobre o assunto havia ocorrido em janeiro, segundo técnicos da empresa

Kassab disse que a decisão pela mudança dos cartões não cabe a ele. "É uma decisão técnica, trocar ou não. Até porque existem previsões de melhoria do sistema trocando a tecnologia, que hoje pode estar um pouco defasada, essa daí é de nove anos atrás", afirmou Kassab. A SPTrans disse ontem, em nota à imprensa, que a troca dos cartões poderá demorar três anos - mas que a investigação sobre a falha que permite invadir esses cartões termina em 30 dias.

A Pontosec, empresa que descobriu a falha que permite fraudes, publicou ontem uma nota em seu site na internet afirmando que "a pesquisa realizada no sistema de bilhetagem utilizado pelo transporte público faz parte da frente de pesquisa da Pontosec" e que "portanto, não há nenhum vínculo comercial com quaisquer partes relacionadas à operação".

"A Pontosec ainda não divulgou a sua pesquisa completa sobre o ocorrido. Isso só será feito quando todos os problemas forem corrigidos. Não temos a menor intenção de incentivar fraudes", informa a empresa.

Metrô. O secretário de Estado dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, disse que o governo do Estado ainda não tinha sido informado pela Prefeitura sobre a investigação de falhas de segurança nos cartões do bilhete único. "Eles fizeram (a investigação) sob sigilo. Nos temos tido reuniões sistemáticas sob diversos aspectos, temos 33 projetos caminhando juntos, e não sabíamos disso. Acho que até por uma questão de segurança deles. Estamos sabendo (agora) e ainda saberemos o que é (a falha)."

Segundo o secretário, técnicos da secretaria e da SPTrans teriam uma reunião na tarde de ontem para deixar o Metrô e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) informados sobre o assunto.

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