Promessa de cesta básica incentivou protesto em Heliópolis

Folhetos com a promessa foram distribuídos aos moradores, segundo afirmação da Polícia Militar

Daniela do Canto, Central de Notícias,

02 de setembro de 2009 | 10h24

 

Bilhete distribuído a moradores de Heliópolis, que fizeram protesto na terça. Foto: Paulo Liebert/AE

 

Os moradores que protestaram na terça-feira, 1º, em Heliópolis, maior favela de São Paulo, receberiam uma cesta básica para participar da manifestação. A afirmação foi feita na manhã desta quarta-feira, 2, pela Polícia Militar. Na terça, cerca de 600 manifestantes participaram do protesto contra a morte de uma jovem de 17 anos que foi baleada durante uma perseguição policial, na segunda. Um panfleto distribuído na favela prometia uma cesta básica a quem se juntasse ao grupo. A polícia ainda não tem pistas da autoria dos bilhetes, que foram manuscritos, copiados e distribuídos à população. 

 

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"Isso deve ser investigado pela Polícia Civil", explicou o capitão Maurício de Araújo, do Comando de Policiamento de Área Metropolitano 2, designado pela Polícia Militar para falar sobre o caso. Na madrugada desta quarta, Araújo afirmou que nenhum bilhete havia sido apreendido ainda.

 

Micro-ônibus indenciado durante protesto na maior favela de São Paulo. Foto: JF Diorio/AE 

 

Questionado se os panfletos teriam sido distribuídos por traficantes em ações corriqueiras de assistencialismo, ele respondeu que a criminalidade, existente em todos os locais, costuma fazer tentativas de angariar a simpatia da população, porém não afirmou que a iniciativa esteja realmente ligada ao tráfico.

 

O capitão garantiu que a polícia não pretende promover uma Operação Saturação na região. "A ideia da polícia militar não é de ocupar o local e sim de chegar próximo à comunidade que serve". Ele ainda disse que as ações de aproximação junto à comunidade já começaram. "Tanto é que na região do Heliópolis os índices criminais têm caído mês a mês. Nós temos uma redução de homicídio, por exemplo, de praticamente 50% do começo do ano para cá. Nós temos muitos índices criminais reduzidos em razão dessas ações que a polícia militar vem tomando", garantiu.

 

A PM pretende continuar com um patrulhamento no local para que não haja mais situações como as que ocorreram na madrugada e no início da noite da terça. Durante a madrugada desta quarta, cerca de 45 homens divididos em 15 viaturas do policiamento de área e da Força Tática fizeram o patrulhamento na região, que está com a situação normalizada, conforme o capitão. "O que acontece agora tem um pequeno defeito na linha de trólebus ali na região, que não tem nada a ver com a ação da PM no local", explicou.

 

Embora existam protestos recentes em comunidades de São Paulo contra a morte de moradores, o capitão achou "precoce" afirmar que a situação está se tornando comum. Ele definiu a atuação da PM no protesto como "correta, legal e baseada na técnica". "A ação teve um saldo muito bom, infelizmente, a única exceção que eu faço à ação é o nosso policial militar que saiu gravemente ferido, porque a população não foi ferida. Mesmo os criminosos, os manifestantes, não foram feridos".

 

Protesto

 

A manifestação em Heliópolis começou por volta das 18 horas da terça e a situação na região estava controlada perto das 23h30, conforme informou a PM. A princípio, segundo o capitão Araújo, a protesto era legal, mas tornou-se ilegal a partir de um certo momento, quando foi necessária a intervenção da polícia. Algumas vias principais da comunidade foram bloqueadas e liberadas horas depois.

 

"Toda manifestação é legal, ela é garantida por lei, inclusive pela Constituição. Só que a partir do momento em que essa manifestação se torna ilegal através de barricadas, através do impedimento das pessoas de ir e vir, através da colocação de fogo no caso em ônibus, em veículos, ela se torna ilegal. Então para conter essa situação ilegal a polícia militar tem o dever de agir através de ações de controle de distúrbios civis, que foi o caso ontem", explicou.

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