Projetos priorizam garagens e jardins

Preferência reflete mudança no estilo de vida dos paulistanos e busca por segurança e conforto; trânsito e medo de roubo ditam pedidos

O Estado de S.Paulo

14 Outubro 2012 | 03h05

Os muros estão mais altos, assim como os portões, por onde passam carros tamanho família. Os jardins não ficam mais na entrada da casa. Em nome da privacidade, foram levados para os fundos e hoje dividem espaço com cozinhas do tipo gourmet e decks com piscina. As janelas e os cômodos também mudaram de posição. A partir de reformas de alto padrão, a arquitetura se adapta ao novo estilo de vida dos moradores, que buscam segurança sem perder conforto.

Para a arquiteta Zize Zink, as mudanças refletem as necessidade das novas gerações. "É um processo natural, já que a maioria das casas dos Jardins é antiga, com mais de 40 anos", diz.

Uma demanda comum a praticamente todos os imóveis é a construção de garagens maiores, se possível subterrâneas, por causa dos limites impostos pelo tombamento dos bairros - a altura máxima das casas deve ser de dez metros.

A ampliação da área reservada ao estacionamento de veículos visa a proporcionar tranquilidade aos moradores e a seus convidados. Com o desenvolvimento da cidade e o aumento do uso do carro, as estreitas ruas dos Jardins não dão conta da demanda por vagas. Além disso, automóveis de luxo ficam mais protegidos de ladrões.

A sensação de segurança observada na região é uma das explicações para o "boom" de reformas. O morador que nas últimas duas décadas procurou terrenos para construção em outros bairros da cidade, como o Morumbi, na zona sul, faz hoje o caminho de volta, em função do alto número de crimes registrados do outro lado do Rio Pinheiros. O trânsito também colabora. Os Jardins estão mais próximos do centro e dos principais corredores financeiros da capital.

Há ainda a necessidade natural de fazer manutenção das estruturas elétricas e hidráulicas das casas ou mesmo dos apartamentos mais antigos, que sofrem o mesmo fenômeno de transformação estética. "Por tudo isso, o morador dos Jardins sabe que um dia ou outro vai ter de encarar uma reforma. Alguns aproveitam então para modernizar a cara do imóvel, seja por fora ou por dentro", afirma Zize.

Lazer. As exigências relacionadas às opções de lazer também mudaram com o tempo. O arquiteto Augusto Barcellos já construiu, por exemplo, um minicampo de futebol em um dos quartos de um casarão no Jardim Europa. "Também recebi pedidos para montar uma parede de escalada, uma sala de cinema ou mesmo pista de dança", diz um dos sócios da Vibia Engenharia, empresa de gerenciamento de obras que atua no local.

Nos Jardins, há pelo menos dez firmas especializadas em reformas e reconstruções residenciais, que costumam durar em média dois anos. Elas oferecem todo tipo de serviço, da demolição da casa à manutenção da nova construção. "É um atendimento personalizado, feito para um cliente com alto poder aquisitivo, que não quer se preocupar com detalhes da obra", diz Jack Pilnik, sócio da Fairbanks e Pilnik. Na lista de "mimos" oferecidos, há relatórios fotográficos e financeiros semanais, manual de uso e garantia estendida.

Para atrair clientes, as empresas mantêm parceria com arquitetos renomados, como Isay Weinfeld, João Armentano e Marcio Kogan, entre outras grifes da arquitetura contemporânea. O serviço, que tem ainda paisagistas, peritos e mestres de obras profissionais, encarece a obra em cerca de 15%.

De acordo com o contrato, essa taxa de administração pode incluir o envio de comunicados aos vizinhos mais próximos, para evitar problemas durante o serviço. O cuidado ajuda, mas dificilmente resiste aos primeiros sinais sonoros de uma demolição. / ADRIANA FERRAZ

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