Daniel Teixeira/Estadao
Daniel Teixeira/Estadao

Projeto para estrangeiros une passeio histórico com aulas de português em SP

Criado em 2018, Português pela Cidade realiza aulas itinerantes no Pátio do Colégio, no Museu da Imigração, no Museu Afro e no Memorial da Resistência

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2019 | 05h30

SÃO PAULO - “Quem vem pra São Paulo, meu bem, jamais se esquece. Não tem intervalo, tudo depressa acontece”, cantam Itamar Assumpção e Rita Lee no sistema de som. Ali, sentado em um banco, um homem anota informações sobre imigrantes cujas trajetórias, assim como a dele, passam por aquele lugar: uma antiga hospedaria transformada em museu.

A atividade era parte da última edição do Português pela Cidade, realizada no Museu da Imigração, zona leste paulistana, no fim do mês passado. O projeto dá aulas de português para estrangeiros em quatro roteiros históricos pela capital, ao custo de R$ 65.

A iniciativa foi criada no ano passado pelas professoras de Português Josefina Lopes Simões, de 37 anos, e Paola Mandalá, de 42, que já tinham experiência de ensino para estrangeiros. Com limite de oito participantes, a aula reuniu oriundos de Bangladesh, do Egito, dos Estados Unidos, do Chile e da Venezuela na última edição.

“A ideia é unir turismo com o aprendizado de Língua Portuguesa. A gente não coloca os participantes para preencher tabela de verbos, essas coisas”, explica Paola. “As atividades que a gente propõe são sempre usando a língua para resolver uma tarefa, que geralmente é buscar alguma informação.”

Na última aula, os participantes se reuniram para ouvir sobre as raízes de São Paulo no pátio do museu. Eles se debruçaram sobre um mapa da cidade, enquanto as professoras explicavam sobre as comunidades indígenas que viveram nas regiões centrais e deram origem ao nome de bairros e distritos (como a Mooca).

O grupo se dirigiu, então, à maquete da antiga Hospedaria do Brás, hoje sede do museu, momento em que as professoras comentaram sobre o programa estatal que trazia estrangeiros e migrantes para trabalhar em fazendas brasileiras. “Todo mundo entende a palavra escravidão?”, indagou Paola.

Após uma introdução, as professoras entregaram uma tarefa para cada aluno, cuja resposta deveria ser procurada em uma espécie de “caça ao tesouro”. “Por que a hospedaria foi construída aqui?”, “Quais eram as nacionalidades dos imigrantes que passaram por essa casa” e “Para onde os imigrantes eram levados?”, estavam entre as questões.

O doutorando em Antropologia Joe Coyle, americano de 34 anos, estava entre os participantes. “Vim para discutir em português e aprender mais sobre o País, sobre questões sociais que têm relevância”, explicou à reportagem.

Também doutoranda (em Arquitetura), a chilena Adriana Marín, de 32 anos, comentou que antes estranhava a necessidade de assinalar a raça do entrevistado sempre que fazia uma pesquisa acadêmica. “Percebi isso, mas agora entendi melhor o porquê”, comentou ao abordar o racismo no Brasil, presente de outras formas no Chile.

Outro participante foi o engenheiro venezuelano Jefferson Plaza, de 23 anos, que está há pouco mais de um mês em São Paulo após passar por Roraima. “Comecei a estudar português agora. Escuto muita rádio para aprender. Algumas palavras que não conhecia aprendi hoje, aqui”

Roteiros abordam raízes indígenas e formação urbana

Os roteiros do projeto são elaborados ao longo de um semestre após visitas aos espaços e levantamento bibliográfico. “A preocupação que a gente tem com os nossos alunos é que explorem a cidade além daquilo que é muito comercial, muito turístico”, diz Paola.

Uma das aulas ocorre no Pátio do Colégio, na qual são abordadas as raízes indígenas e a formação urbana de São Paulo. A seguinte é no Museu Afro Brasil, focada nas origens dos africanos trazidos para o País, enquanto a terceira é a do Museu da Imigração. Por fim, o último roteiro traz a trajetória mais recente da sociedade brasileira, sendo realizado no Memorial da Resistência.

“Os roteiros têm a função de fazer com as pessoas que estão em São Paulo compreendam a história que está presente nos espaços públicos", acrescenta ela. "A gente tem uma linha que vai desde a chegada dos colonizadores, como era antes da chegada dos jesuítas, onde eram essas aldeias, qual era o desenvolvimento arquitetônico, o desenvolvimento político-social.”

Próximas edições do Português pela Cidade:

19 de outubro, sábado:

Horário: 14h

Local: Museu Afro Brasil, Portão 10 do Parque do Ibirapuera (Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº - distrito Moema)

Valor: R$ 65

Mais informações: www.facebook.com/PortuguesPelaCidade e www.instagram.com/portuguespelacidade

27 de outubro, domingo:

Horário: 14h

Local: Pátio do Colégio (Praça Pateo do Collegio, 2 - distrito Sé)

Valor: R$ 65

Mais informações: www.facebook.com/PortuguesPelaCidade e www.instagram.com/portuguespelacidade

16 de novembro, sábado:

Horário: 14h

Local: Museu da Imigração (Rua Visconde de Parnaíba, 1.316 - distrito Mooca)

Valor: R$ 65

Mais informações: www.facebook.com/PortuguesPelaCidade e www.instagram.com/portuguespelacidade

30 de novembro, sábado:

Horário: 14h

Local: Museu Afro Brasil - Portão 10 do Parque do Ibirapuera (Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº - distrito Moema)

Valor: R$ 65

Mais informações: www.facebook.com/PortuguesPelaCidade e www.instagram.com/portuguespelacidade

 

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