Projeto quer proibir uso de celular em banco

Objetivo de texto em discussão na Assembleia é dificultar a ação de ladrões na ''saidinha bancária''; para especialistas, lei não será cumprida

Bruno Ribeiro e Isis Brum, O Estado de S.Paulo

27 Janeiro 2011 | 00h00

Um projeto de lei em tramitação na Assembleia Legislativa prevê a proibição do uso de celulares em agências bancárias de todo o Estado. O texto veta ainda outros dispositivos de comunicação eletrônica. O objetivo é dificultar a ação de ladrões na chamada "saidinha de banco". Lei semelhante já foi adotada em cidades como Campinas, Franca e Salvador.

A proposta, de autoria do deputado Fernando Capez (PSDB), prevê ainda que shoppings e hipermercados terão de instalar biombos separando os caixas dos demais ambientes. A Polícia Civil não tem dados específicos sobre vítimas de "saidinha de banco". Os casos são registrados como roubos comuns. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Secretaria de Segurança Pública não comentaram o projeto. Dizem que não discutem propostas que ainda não foram votadas pela Assembleia.

A medida divide os clientes. "Eu acho válido, se for para evitar assaltos. Quem não pode ficar meia hora sem falar no celular?", diz o taxista Luiz de Sá, de 56 anos. "Seria melhor se os bancos instalassem biombos para que o pessoal na fila não visse quem está no caixa", opina a secretária Rosinalva Aguiar Gomez, de 32.

Quem usa o celular como ferramenta de trabalho prevê problemas. "Hoje em dia é possível resolver quase tudo pela internet. Então, só vou ao banco para resolver problemas", relata a consultora de empresas Aline Milani, de 36 anos. "E se, quando estiver na agência, precisar resolver alguma outra coisa por telefone, vou pedir o aparelho do banco?", questiona. Para ela, a medida não evitará assaltos: "Tenho mais pânico de entrar no banco quando tem um carro-forte estacionado na porta do que em qualquer outra circunstância."

A opinião é diferente quando a pessoa já foi vítima da "saidinha", como um empresário de 63 anos. Ele, que pediu para não ter o nome divulgado, teve roubados R$ 6 mil logo após deixar o banco. "É melhor desligar os celulares do que ver duas pistolas prateadas apontadas para você."

A ginecologista e obstetra Carolina Carvalho Amborgini não desgruda do celular. O principal motivo são gestantes em trabalho de parto. Contudo, não acredita que terá problemas em desligar o aparelho. "Oriento minhas pacientes a ir para o hospital e deixar recado se não conseguirem falar logo na primeira ligação." Para ela, a questão principal é a segurança. "Se trouxer mais tranquilidade, será ótimo."

Alternativas. Especialistas em segurança não acreditam que a lei, se aprovada, seja cumprida. Avaliam que, apesar de a medida ser boa, biombos de isolamento na boca do caixa e nos caixas eletrônicos teriam melhor resultado. "É mais simples e mais efetivo", diz Nilton Migdal, consultor e especialista em segurança. Com os biombos, afirma, a transação bancária de qualquer natureza ficaria somente entre o cliente e o banco. "Pode ser colocada uma câmera sobre o funcionário - se já não existir - que acompanhe todos os seus atos ao longo do dia."

Também especialista na área, Felipe Gonçalves questiona como o cliente será abordado se chegar falando ao celular. "Ele terá de desligar, será impedido de entrar? São questões difíceis", aponta.

PRESTE ATENÇÃO...

1. Rotina. Se tiver de fazer pagamentos mensais em dinheiro, diversifique as agências visitadas e faça os saques em dias distintos.

2. Segurança. Ao sair para fazer os saques, não leve outros cartões. O assaltante pode querer estender o roubo

e o crime tornar-se um sequestro relâmpago ou um "overnight" (pedido de pequenos resgates).

3. Caixas de rua. Evite usar os caixas eletrônicos de rua, que deixam o cliente mais vulnerável a ações de bandidos. Prefira usar os de shopping ou conveniência, se estiver longe de sua agência bancária.

4.Empresa. Se faz pagamentos de funcionários em dinheiro, não deixe que os trabalhadores descubram a data da retirada. Um deles pode dar informações sobre seus hábitos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.