Projeto prevê demolição de 671 casas e remoção causa polêmica

Para a execução das obras de urbanização do Morro da Providência, na região central do Rio, a Secretaria Municipal de Habitação prevê a retirada de 671 casas da favela. Elas estariam no curso das obras ou em áreas de risco, segundo os estudos da prefeitura. Os moradores, entretanto, questionam a avaliação técnica e acusam a administração de provocar a remoção para beneficiar um projeto turístico na região e a especulação imobiliária.

RIO, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2012 | 03h06

Um processo foi aberto na 6.ª Vara Cível do Rio. De acordo com os moradores, o projeto não foi discutido, não considera os impactos sobre a vizinhança e viola os direitos dos moradores.

"Eles entram sem pedir licença e botam tudo abaixo. Há uma história de vida dentro da comunidade e hoje está tudo sendo jogado fora", afirma Marcia Regina de Deus, de 54 anos.

Nos imóveis já desocupados, há escombros e objetos pessoais deixados para trás. "Eles derrubaram a casa da vizinha e agora há infiltração, ratos e inundação na minha. É uma forma de pressão. Não quero sair, mas estou preocupada", diz Maria José dos Santos, de 34 anos.

Desde 2011, 196 famílias da Providência já foram reassentadas. A prefeitura ofereceu como opções de reassentamento o pagamento de indenizações, compra assistida de novo imóvel ou a oferta de um aluguel social por um ano ou até que as habitações populares fiquem prontas.

"Estamos levando serviços públicos para a comunidade e construindo mais habitações do que a previsão de reassentamento", afirma o secretário de Habitação, Jorge Bittar.

Os moradores denunciam irregularidades no processo de remoção. Eles afirmam que as famílias que negociaram a remoção já deixaram de receber o aluguel social. "Há também moradores de áreas afetadas pelas obras que receberam indenizações da prefeitura abaixo do valor de mercado", diz Theresa Williamson, presidente de uma ONG que atua na região. / A.P.

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