Projeto não diz o que fazer com os ''noias''

O projeto preliminar de requalificação urbana da cracolândia, o primeiro apresentado pelo consórcio contratado por R$ 12,4 milhões para elaborar plano para a área, não prevê nenhuma intervenção para resolver o problema de viciados em drogas e moradores de rua. Não está prevista construção de equipamentos de saúde, nem há menção ao problema social.

Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2010 | 00h00

Na visão da Prefeitura, o projeto de revitalização é "urbanístico para uma área específica" e o problema de moradores de rua e viciados é "questão maior, de todo o centro". "É uma questão importante para a gestão. Mas não está só na região que queremos revitalizar. Está em todo o centro e em outras áreas. O tratamento não pode esperar a Nova Luz", afirma o secretário de Desenvolvimento Urbano, Miguel Bucalem. "A abordagem é de atendimento social e de saúde. Isso tem sido feito."

Para especialistas ouvidos pelo Estado, um projeto urbanístico deve considerar o contexto social. "É o maior problema da área, deveria estar previsto no edital algum enfrentamento", disse o urbanista Cândido Malta Campos Filho, da USP. "O problema se transfere ao bairro vizinho e, a médio prazo, volta para a área." Já para Marco Antônio de Almeida, da ONG Viva o Centro, a requalificação deve diminuir o problema. "Essas pessoas vão se tornar mais propensas ao tratamento."

"A melhoria do ambiente físico criará condições para ampliar o sucesso das ações de saúde e sociais", informou a Secretaria Municipal da Saúde, por meio de nota.

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