Projeto muda os horizontes da Penha

Prefeitura do Rio busca revitalizar a região, na zona norte, aumentando o gabarito das construções de algumas áreas de 5 para 8 andares

Bruno Boghossian / RIO, O Estadao de S.Paulo

20 Março 2010 | 00h00

Um projeto da prefeitura do Rio, enviado à Câmara, vai tentar revitalizar a região do bairro da Penha, na zona norte, aumentando o gabarito das construções de algumas áreas de 5 para 8 andares. O principal objetivo é estimular o comércio e o mercado imobiliário, prejudicados pelo fechamento de fábricas, o crescimento das favelas e pela violência.

Técnicos da Secretaria Municipal de Urbanismo se reuniram nesta semana com um grupo de chefes de gabinete de parlamentares para debater as alterações no Projeto de Estruturação Urbana (PEU) que afeta os bairros da Penha, Penha Circular e Brás de Pina. A principal preocupação em relação à mudança é que a nova altura máxima dos prédios bloqueie a visão da Igreja de Nossa Senhora da Penha, que fica no alto de um outeiro e, atualmente, pode ser vista à distância de algumas das principais vias de acesso ao Rio, como a Linha Vermelha e a Avenida Brasil.

De acordo com o vereador Alfredo Sirkis (PV), ex-secretário municipal de Urbanismo, projeções elaboradas pela prefeitura garantem que o novo gabarito não vai atrapalhar a visão do santuário. "Existe o interesse de atrair investimentos na construção formal de moradias naquela região, mas foram feitos estudos para evitar esse efeito indesejável sobre a igreja", afirmou.

Em ruas mais próximas ao outeiro, no entanto, a alteração na paisagem deve ser inevitável. A telefonista Solange Martins, que mora há 28 anos na Penha, acredita que o projeto pode valorizar os imóveis e aumentar o movimento nas ruas do bairro, mas teme que o aumento da altura dos edifícios prejudique a igreja. "Eu passo todos os dias aqui por perto e olho para lá. Se os prédios crescerem mais um pouquinho, não vou conseguir ver mais nada." O PEU em vigor na região data de 1988, quando foi estabelecido o limite de altura aos edifícios dos três bairros, com o objetivo de preservar a paisagem. Para o arquiteto Eduardo Horta, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o gabarito pode ter contribuído para a desvalorização dos terrenos do bairro e a favelização. "Vale a pena ter um bairro estagnado, meio morto, para poder ver a Igreja da Penha?", questionou, destacando, no entanto, a necessidade de elaborar alternativas para preservar o santuário sem prejudicar o desenvolvimento da região.

Planos. Segundo técnicos da secretaria, os bairros se beneficiarão do aumento da altura máxima, aliado à boa infraestrutura de transportes. Apesar de situada na periferia do Rio, a região é considerada de fácil acesso por causa da proximidade com a Avenida Brasil, a Linha Vermelha e as estações de trem do ramal de Saracuruna. Além disso, está nos planos da prefeitura para a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016 a construção do Transcarioca, corredor de ônibus articulados para ligar a Barra à Penha, podendo chegar ao Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão).

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