Projeto gerou renda local

Nem todo mundo está descontente com a mudança. José Clodomarcos de Souza, conhecido como Zé de Codó, de 38 anos, trabalhava em uma fazenda. Quando se mudou para nova Jaguaribara, seu primeiro trabalho foi limpar o chão e as assadeiras de uma padaria. "Vi que me identificava com aquilo ali", disse o ex-lavrador. Depois, virou carteiro terceirizado da Prefeitura, que lhe pagava R$ 120 por mês. "Ganhei a confiança da cidade toda. Pegava dinheiro, pagava contas, deixava o troco." Ele fez um curso de doces e salgados no Sebrae e passou a vendê-los nas ruas, de bicicleta.

O Estado de S.Paulo

05 Maio 2013 | 02h02

Juntou dinheiro e abriu sua Padaria e Pizzaria do Codó. "Há oito anos, eu não tinha dinheiro para comprar leite para meu filho. Hoje, emprego 15 pessoas", orgulha-se Zé do Codó, que pretende em breve abrir uma peixaria. "Lutamos contra a barragem por falta de conhecimento", avalia o comerciante. "Não era justo não fazer a barragem por causa de uma cidade pequena, que era boa, mas o Ceará todo se beneficia."

Além de abastecer Fortaleza e o porto e complexo industrial de Pecém, o Açude Castanhão contribui para a geração de renda local, com empreendimentos de piscicultura e irrigação. Os 30 piscicultores da região produzem 900 toneladas de tilápias por mês, que são criadas em gaiolas no açude. O quilo do peixe é vendido a R$ 5,50, o que resulta em faturamento bruto mensal de R$ 4,95 milhões. De acordo com Horácio Souza, presidente da Associação Cearense de Aquicultores, há potencial para produzir 3 mil toneladas, dentro de dois anos.

Os produtores por sua vez vendem parte de suas tilápias a uma associação de beneficiadores e artesãs, que reúne 22 pessoas. A carne do peixe é cortada em filés embalados a vácuo, vendidos por R$ 17 o quilo, e do restante se fazem almôndegas e linguiça. As artesãs usam a pele da tilápia para fazer carteiras, bolsas, chaveiros, cintos, brincos, almofadas e chinelos. "A vida melhorou com a mudança", elogia Gonçalves Saldanha, de 42 anos, que ganhava meio salário mínimo como lavrador na velha Jaguaribara. Agora tem casa, que recebeu como parte da indenização do Dnocs, carro e uma vida de classe média.

O açude também tem atraído praticantes de pesca esportiva do Brasil e de outros países. Tudo isso gera renda - e clientes para Zé do Codó e outros donos de restaurantes. Na antiga Jaguaribara, ninguém comia fora. / L.S.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.