Projeto é apenas o primeiro passo de um longo caminho

A criação da Fundação Teatro Municipal é o primeiro de uma lista de passos a serem dados na sua reformulação. Recentes experiências, na esfera estadual, não deixam dúvida: a burocracia estatal e a dinâmica da produção artística não são boas companheiras. Ainda assim, há especificidades a serem consideradas.

João Luiz Sampaio, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2011 | 00h00

A relação de uma instituição pública transformada em fundação e a esfera estatal se dá por meio de contrato firmado entre Estado e uma organização social, entidade civil sem fins lucrativos, responsável pela gestão. É ele que rege, por exemplo, a relação da Fundação Osesp e o governo do Estado, definindo verbas e deveres e direitos de ambos os lados.

Como a Osesp é uma fundação privada de Direito Público, ela própria é a sua organização social, gere a si mesma. No Municipal, a fundação será pública, precisará firmar contrato com outra organização social. Esse seria o primeiro passo a ser dado agora. A dúvida é se esse formato dará de fato liberdade ao teatro ou vai perpetuar a influência de trocas políticas na programação, impedindoprojetos a longo prazo.

Fato, porém, é que a fundação pode resolver essa questão, assim como o caos contratual dos artistas, além de dar maior liberdade na captação de patrocínios. Mas não o fará em passe de mágica. Antes de se criar a estrutura ideal para realizar um projeto artístico, é preciso saber que projeto é esse - o que, ao menos até agora, hesitante com a programação, a atual gestão não soube mostrar.

É CRÍTICO DE MÚSICA ERUDITA DO "ESTADO"

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