Projeto de zeladoria pode se espalhar por outras cidades

A ideia de formar zeladores do patrimônio - num esforço para preservar e conservar, em vez de restaurar - foi disseminada formalmente no ano passado, quando o conservador e restaurador Antonio Sarasá ofereceu um curso a 40 alunos no Museu de Arte Sacra, na região central de São Paulo.

O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2013 | 02h06

Na época, ele já tinha a intenção de que a iniciativa se espalhasse por instituições culturais e mantenedores de obras históricas.

Aos poucos, parece estar conseguindo. Com os resultados que já começam a aparecer no Engenho Central, Sarasá afirma que surgiu o interesse de turmas em Registro e São Luiz do Paraitinga. "Estamos mostrando, na prática, que dá para fazer assim, que é viável", comenta Sarasá. "É uma mudança política e cultural na maneira como edifícios históricos são tratados no Brasil."

Além de uma mudança de mentalidade nos gestores do patrimônio histórico, o curso tem papel de formação de jovens da região. "No projeto de Sertãozinho fizemos um processo seletivo, privilegiando quem tinha acabado de concluir - ou estava prestes a terminar - o ensino médio em escolas da região. São pessoas com risco de sair do colégio e não conseguir se encaixar em nada. O projeto dá uma mãozinha no início da carreira dessas pessoas", esclarece o idealizador.

Uma vez instalado o memorial, muitos desses jovens podem ser aproveitados como monitores ou mesmo efetivados como zeladores do Engenho Central. "Eles terminam o curso com conhecimentos teóricos e práticos, aprendem a 'conversar' com o prédio, compreender sua história e as mudanças pelas quais uma estrutura centenária passa", exemplifica o arquiteto Fabio Di Mauro.

Ferrovia histórica. Outro projeto de cunho histórico e cultural deve movimentar Sertãozinho e região. Uma associação voltada à memória ferroviária está empenhada no restauro de uma locomotiva antiga, vislumbrando que uma linha turística entre em circulação nos próximos anos.

Com o Museu Nacional do Açúcar e do Álcool em funcionamento, há a possibilidade de reviver o antigo ramal do coronel Francisco Schmidt - e visitantes poderiam chegar de trem até a Fazenda Vassoural para conhecer o memorial do antigo Engenho Central. A bordo da maria-fumaça, a poeira de terra vermelha vai ter gostinho especial para os nostálgicos. / E.V.

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