Projeto de prédio na Pompeia está no caminho do Metrô

Plano do governo é fazer entrada da futura Estação Sesc Pompeia no terreno em que cinco casas já foram demolidas por empreiteira

CAIO DO VALLE, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2013 | 02h03

Há um projeto de prédio no caminho do Metrô. É que uma das entradas da futura Estação Sesc Pompeia da Linha 6-Laranja, na zona oeste, ficará em um terreno que estava sendo preparado por uma empreiteira para construir um prédio de dez andares.

Nos últimos meses, a maior parte dos antigos imóveis da área foi demolida pela empresa, embora o governo do Estado tenha declarado cinco deles como potenciais alvos de desapropriação em maio passado. A incorporadora PGG alega que, quando adquiriu o espaço, não sabia dessa estação.

Agora, o projeto terá de ser revisado. Ou o da parada ou o do edifício. O ponto da discórdia fica bem na esquina da Avenida Pompeia com a Rua Venâncio Aires. Ali, a Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos pretende abrir um acesso subterrâneo para permitir o fluxo de pedestres até a estação, que será montada debaixo da terra no lado oposto da avenida, em um terreno colado ao do Sesc Pompeia.

No chão. Três dos imóveis declarados de utilidade pública para a construção dessa saída já foram derrubados pela PGG. Isso não é irregular, já que, segundo o Metrô, "o proprietário do imóvel pode demolir as edificações" em circunstâncias assim. Mas, pelo projeto do Edifício New Perdizes Office publicado no site da empresa, as fundações do lado esquerdo do empreendimento ficarão bem onde o governo planejou fazer a saída.

Com 100 salas comerciais e 118 vagas na garagem, a edificação será erguida na "região que mais cresce em São Paulo", segundo a publicidade da incorporadora. O terreno tem 1,5 mil metros quadrados e deverá receber tratamento paisagístico com vegetação e espelhos d'água. Desse total, 602,82 m2 precisariam ser usados para a construção do acesso da estação, informou o Metrô.

Alteração. Em nota enviada ontem, o Metrô, empresa controlada pelo governo do Estado, divulgou que "representantes de sua área de projeto se reuniram com a PGG Incorporadora para sanar algumas dúvidas levantadas pela empresa" sobre a construção da estação e que isso ocorreu após o decreto de utilidade pública.

Uma fonte da empreiteira que preferiu não se identificar contou, porém, outra versão. "Não existia nada oficial na época em que a gente comprou os terrenos. Chegamos a consultar o Metrô e não tinham nada." A aquisição dos imóveis teria ocorrido há aproximadamente dois anos.

Oficialmente, a PGG só informou que aguardará a definição do projeto da estação, que será finalizado pelo consórcio que vencer a licitação da Parceria Público-Privada para construir e operar a Linha 6, previsto para ser anunciado em maio. As obras começam em janeiro de 2014.

Segundo a empreiteira, o projeto do prédio se adequará ao da Estação Sesc Pompeia. Não há prazo para o início das obras.

Dono de um restaurante que também deverá ser desapropriado, Roberto da Silva, de 32 anos, disse ontem que ainda não sabe quando terá de abandonar o imóvel. "Espero que indenizem também a perda do meu ponto." O Metrô informou que isso caberá ao vencedor da PPP, que "terá liberdade para adotar as medidas que entender necessárias com relação aos imóveis".

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