Projeto de plantio não contemplou espécies locais

Análise: Ricardo Cardim

É AMBIENTALISTA, BIÓLOGO, AUTOR DO BLOG ÁRVORES DE SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

07 Janeiro 2013 | 02h39

O projeto de paisagismo da Marginal do Tietê começou errado em uma questão importante: não foi observada a vegetação original. A maioria das espécies plantadas ali são estrangeiras ao local. Há árvores de Mato Grosso e do Rio Grande do Sul, mas há pouquíssimas árvores paulistas.

Para ser sustentável, o paisagismo precisa contemplar espécies que existiram originalmente na região. A várzea do Tietê era um local muito rico em espécies que não são muito difíceis de se encontrar hoje em dia, como pau-viola, camboatã e figueira-brava. Os técnicos não tiveram essa sensibilidade.

Perdemos uma chance histórica para ajudar as pessoas a entenderem melhor o local onde vivem e reequilibrar o ambiente. Além disso, as plantas nativas têm mais chances de sobreviver. Elas estão adaptadas há milênios com o local e ao regime de chuva e são capazes até de resistir à poluição.

Outra crítica é quanto ao plantio na época errada. Qualquer agricultor sabe que a temporada de chuvas é a melhor para a planta. A chance de crescer é muito maior. Vi muitas árvores serem plantadas na Marginal no período de seca. Esse foi o principal fator de perda de mudas.

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