MV Escritório de Projetos/Nesp
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Projeto da 'nova Ceagesp' tem hotel e centro comercial; inauguração deve ser em 2021

Obras do Novo Entreposto de São Paulo (Nesp) estão com previsão de início para o fim de 2018 em Perus, na região norte de São Paulo

Edison Veiga, O Estado de S.Paulo

24 Maio 2017 | 20h15

SÃO PAULO - Chamado pelos empresários envolvidos de "nova Ceagesp", o moderno entreposto comercial privado que deve ser erguido na região de Perus, zona norte de São Paulo, já tem cara definida. Depois de um processo seletivo realizado por um comitê interno, o Novo Entreposto de São Paulo (Nesp) elegeu o projeto assinado pelos arquitetos Marcel Monacelli e Marcos Vieira, o consórcio Monacelli Vieira.

"Nossa preocupação principal na elaboração do projeto foi com a questão dos fluxos. Senão o empreendimento seria caótico como a Ceagesp atual é", afirma Monacelli. "Buscamos, principalmente, infraestrutura e disciplina. Ruas dimensionadas para circulação de caminhões, controle de portaria, horário para carga e descarga, otimização do espaço físico e prestação de serviços", explica o empresário Rafael Benassi, coordenador do Comitê de Projetos do NESP.

Pelo desenho, estão previstas ruas largas, espaços para que caminhões estacionem a 45 graus e um fluxo organizado de modo que carros e caminhões não se encontrem dentro dos lotes. "Tudo foi pensado de maneira a regrar a mobilidade de caminhões, carros e pessoas", diz o arquiteto.

Estão previstos ainda um hotel com até 260 quartos, um centro comercial, ciclovia e uma futura estação de trem - que deve fazer parte da expansão da linha 7 da CPTM. Mas, vale ressaltar, toda essa estrutura não terá nada de turística. A ideia é que tanto os quartos como as lojas sirvam exclusivamente aos comerciantes e trabalhadores do entreposto. 

Aprovado o projeto, a expectativa é que as obras comecem no fim de 2018 e que tudo esteja em operação no início de 2021. Antes, há ainda um longo processo de licenciamentos ambientais e aprovações legais. "Enquanto isso, estaremos aprimorando o desenvolvimento do projeto, refinando-o para dar origem à construção", afirma Monacelli. 

O Nesp estima que serão necessários cerca de R$ 1,5 bilhão na obra - valor que inclui, projeto arquitetônico, nivelamente de terreno, licenciamentos, definições de acesso e construção em geral. "Por se tratar de uma iniciativa privada, temos apoio de investidores e estamos em contato com fundos financeiros que irão auxiliar na execução como um todo", explica o empresário Sérgio Benassi, presidente do Nesp. 

Em dezembro, 20 sócios do Nesp fizeram uma turnê pela Europa conhecendo entrepostos de ponta. Foram visitados Mercabarna, em Barcelona, na Espanha; Mercado de Rungis, na França; Saint-Charles International, em Perpignan, na França; Centro Agroalimentar de Roma, na Itália; e o Mercado de Bolonha, também na Itália. No início do ano, oito escritórios de arquitetura foram convidados a participar da seleção para o Nesp, dos quais, quatro finalistas foram anunciados em março - o Estado antecipou com exclusividade. 

O terreno adquirido para a obra tem 1,4 milhão de metros quadrados e está localizado na região de Perus, próximo da Rodovia dos Bandeirantes e do futuro Trecho Norte do Rodoanel. Estudos internos apontam que a implementação do Novo Entreposto vai reduzir em 25% o tempo gasto pelos usuários no trânsito, em relação ao atual. A estimativa da presidência do Nesp é de que o entreposto esteja em operação dentro de quatro anos.

Em nota, a Ceagesp ressaltou que "o projeto do Novo Entreposto de São Paulo (Nesp) é uma iniciativa privada, que não tem nenhum tipo de relação com a Ceagesp ou à sua administração". "A Ceagesp não autoriza nenhuma pessoa física ou jurídica a falar em nome dela, a não ser seus próprios diretores", concluiu. 

Trâmite. Em 2015, a Prefeitura e o governo federal firmaram acordo para desativar a atual Ceagesp, na Vila Leopoldina, e construir um novo entreposto em Perus. O terreno e a administração da Ceagesp são do Ministério da Agricultura.

No ano passado, o grupo Novo Entreposto de São Paulo (Nesp) apresentou uma proposta à Prefeitura, que a tornou pública e abriu chamamento público, conforme prevê a legislação. Como não houve mais interessados, o Nesp ganhou o processo, se comprometendo a arcar com os custos da mudança, além de fazer a reurbanização do local e obras na região. Os empresários e os cerca de 80% dos atuais permissionários que compõem o Nesp se cotizaram e compraram o megaterreno em Perus. A construção e administração serão privadas e haverá, segundo o Nesp, recursos do BNDES.

Na tarde de terça-feira, 23, a assessoria de imprensa da Ceagesp afirmou que o porta-voz que poderia informar sobre a situação atual de uma eventual saída do terreno da Vila Leopoldina estava inacessível. Em nota oficial divulgada no início do ano, entretanto, a Ceagesp afirmou que não havia nenhuma decisão oficial sobre a questão. 

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