GABRIELA BILO / ESTADAO
GABRIELA BILO / ESTADAO

Projeto da faixa extra de pedestre avança na capital paulista

Calçada verde chega à Vila Madalena, na zona oeste; Companhia de Engenharia de Tráfego analisa Líbero Badaró e 7 de Abril, no centro

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

22 Agosto 2016 | 03h00
Atualizado 22 Agosto 2016 | 07h32

SÃO PAULO - Um ano após criar a calçada verde para pedestres na Avenida Liberdade, no centro de São Paulo, a Prefeitura implementou uma faixa do gênero na Vila Madalena, zona oeste. A gestão pintou um trecho de 40 metros, na semana passada, na Rua Medeiros de Albuquerque, próximo do Beco do Batman.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que a ampliação do projeto, nascido de forma experimental na Liberdade, ocorre após a aprovação e a autorização do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). As próximas ruas passíveis de receber a faixa são a Líbero Badaró e a 7 de Abril, na região central, onde o fluxo de passantes na calçada é grande e força os pedestres a disputar espaço na ciclovia.

Segundo o secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, qualquer cidadão poderá agora solicitar a implementação da calçada verde. Foi o que ocorreu na Rua Medeiros de Albuquerque. “Fica mais fácil de pintar quando é uma via onde os moradores já concordam, onde não há conflito. Mas qualquer um pode sugerir trechos em qualquer via.”

Na calçada verde pioneira da Avenida Liberdade, um ano depois da criação os pedestres encontram obstáculos para trafegar: um buraco de aproximadamente 1 metro de diâmetro, vários pontos de alagamento e arbustos volumosos que, da calçada, obstruem a passagem. 

Mas universitários, moradores e trabalhadores avaliam que, mesmo com risco de atropelamento, a criação da faixa foi positiva. A estudante de Direito da FMU Milena Prado, de 19 anos, recorre à calçada extra quando o passeio fica congestionado de pedestres. “É um pouco perigosa, mas prefiro usar porque fica ruim de andar na calçada normal quando acumula muita gente”, diz. 

Para o ambulante Eduardo Rodrigues, de 31 anos, que comercializa lanches na porta das universidades da avenida, a faixa verde ajudou nas vendas. “Acho que foi feita para nós, ambulantes e pedestres, termos mais espaço. Porque agora podemos caminhar com mais tranquilidade. Principalmente à noite, quando a calçada fica tomada de gente e as pessoas mal conseguem andar.”

Medo. Elisângela Queiroz, de 30 anos, trabalha como gerente de uma lanchonete na frente da calçada verde da zona sul. Em um ano de projeto-piloto, ela nunca pisou na faixa. “Quem é doido de andar aí e ser atropelado? Muito difícil. Ninguém tem coragem. É raro ver gente caminhando aí”, diz. 

Segurança de um centro comercial, Vanderson Donato Ferreira, de 31 anos, também relata desconfiança. “O ônibus anda em alta velocidade. Se um carro perde o controle, atropela facilmente o pedestre. Não confio.”

Procurada, a Prefeitura diz que não houve nenhum registro de acidentes de trânsito com pedestres nos 12 meses. O secretário Tatto admitiu, porém, que a drenagem da água é ruim no local e sinalizou que o ideal é a elevação definitiva do trecho estendido. “O próximo passo será cimentar para fazer calçadão, nos moldes da Avenida Paulista”, afirma. Ainda não há projetos em andamento para elevar a via extra de pedestres, mas a CET confirmou que essa será a próxima etapa.

Segundo o segurança Ferreira, a faixa ainda virou “passarela” para assaltantes, que têm feito uso da via para roubar celulares dos pedestres da calçada tradicional. “Acontece direto. O ladrão passa de bicicleta, pega o celular e vai embora”, diz.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), as Polícias Civil e Militar estão atentas à criminalidade na região. “Este ano, o 1.º DP, que cuida da área, registrou 14 ocorrências, que estão sendo investigadas. A Polícia Civil esclarece que organiza operações especializadas em crimes contra o patrimônio. Já a Polícia Militar realiza policiamento preventivo (com agentes em motocicletas) e policiamento comunitário.” A SSP ressalta que as ações já resultaram na prisão de 445 pessoas em flagrante nos seis primeiros meses do ano – só na área do 1.º DP.

Vila Madalena. Ajudante-geral de um estabelecimento comercial, Lúcia Moura, de 55 anos, elogiou o trecho de calçada verde criado na Rua Medeiros de Albuquerque, próximo do Beco do Batman. A via já é bloqueada para veículos nos fins de semana, quando ocorrem eventos de rua à tarde. “Agora, fica mais fácil para caminhar e para colocar mais mesas e barraquinhas nessas festas.” 

A faixa verde pode ser vista pela janela da casa da aposentada Maria Vergílio, de 68 anos. Mas ela é totalmente contra e se sentiu prejudicada pela iniciativa. “Está na frente da minha casa e deu um espaço a mais para que as pessoas encham a rua nos fins de semana. Não fui consultada para saber se queria que fizessem isso.”

Faixas azuis vão mudar de cor em viadutos e no centro

A Companhia de Engenharia do Tráfego (CET) argumenta que um parecer federal a autoriza a pintar faixas extras para pedestres em cores diferentes daquelas previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Por isso, a Prefeitura avisou que vai trocar as azuis, para discriminar a passagem dos pedestres e as vagas para idosos (azuis na legislação). As faixas no asfalto dos Viadutos Alberto Marino, no Brás, e Pacaembu – que complementam calçadas cimentadas com 50 centímetros – passarão a ser verdes.

Também mudam de cor as faixas em diagonal do centro: na frente do Teatro Municipal e no cruzamento das Avenidas Ipiranga e São João. A normativa que garante a implementação das faixas verdes na capital paulista é a Resolução 236/2007 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). 

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