Proibidão das Upp's Ganha Web

Músicas no YouTube feitas pelos MCs das comunidades desafiam polícia e elogiam o crime

Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2010 | 00h00

A polícia precisou de escutas e de inteligência para associar os atentados cometidos pelo tráfico à expansão das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nos morros do Rio. Eles também poderiam ter dado uma olhada no YouTube, onde os proibidões feitos por MCs de algumas comunidades fluminenses desafiam policiais a expulsarem os traficantes das favelas.  

Veja os vídeos:

 

 

Pelos Complexos do Alemão e da Penha, dominados pelo Comando Vermelho, quem canta é MC Lano. Começa o funk mandando um alô para FB, responsável pela coordenação dos ataques ocorridos nesta semana, para depois avisar a polícia: "Na (Favela da) Chatuba é UPP/ Olha só o papo é reto/ Unidade do Poder Paralelo." Segue um som de guitarra e gritos de "destrava o bico", em referência à trava da metralhadora. Em seguida, longas rajadas de bala.

Um dos funks mais populares é Coelho tá investindo, de MC Huguinho. Tem quase 100 mil acessos. Sem mencionar a comunidade onde mora, o autor ameaça atentados, caso sejam instaladas as UPPs. "Coelho tá investindo, armamento é um absurdo, mas avisa a UPP de que é melhor tomar cuidado, se tentar ocupar, a Prefeitura vira alvo."

Na Rocinha, atualmente comandada pela facção Amigos dos Amigos (ADA), MCs RS & Evertin provocam: "Tão dizendo por aí que tem uma tal de UPP que vai subir a Rocinha e acabar com o poder. Deixa eles vir (sic), deixa tentar, a gente não atura verme, se tentar na Rocinha, encontra o Bonde do Mestre."

MC Leonardo, da Associação de Profissionais e Amigos do Funk do Rio de Janeiro, diz que o estilo só se tornou a música preferida de traficantes depois das sucessivas proibições dos bailes no Rio ao longo dos últimos 20 anos. "Quem faz esse tipo de apologia deve responder no campo criminal. Mas não se pode generalizar e confundir as coisas. O funk foi sequestrado pelo crime depois que passou a ser considerado ilegal."

Em São Paulo, o ex-subprefeito de Cidade Tiradentes, Renato Barreiro, apoiou o movimento funk na zona leste da cidade por meio de festivais e festas. Acabou disseminando no bairro o estilo Permitidão. "Só tocava nos festivais quem não fazia apologia. Isso levou um monte de garotos a criar letras mais conscientes, alertando até mesmo para os perigos do crime."

TRECHO

"Coelho táinvestindo, armamento é um absurdo,...

...mas avisa a UPP que é melhor tomar cuidado se tentar ocupar a Prefeitura vira alvo. A bazuca tá na pista, se for para estourar a guerra joga o míssil no velhoca, porque o bonde, todo ele, está fortemente pesado, o galo está de AK com mira laser adaptada, o cacau com o bonitão faz a segurança, pode queimar o pneu que é pra tontear o Águia, dá um fio pro JT, pro cuíca e pro Mussum, diretamente conexão com o Xeru... "

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