Proibição de caminhões atraiu carros à Marginal

O fato de os índices de trânsito piorarem mesmo depois da restrição ao trânsito de caminhões faz especialistas questionarem a capacidade que o Trecho Norte do Rodoanel terá de reduzir os congestionamentos da cidade. "Agora, ele será só uma grande avenida", diz o engenheiro de trânsito Horácio Augusto Figueira, consultor da área de logística.

O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2012 | 03h01

Citando dados da Pesquisa Origem-Destino do Metrô (o mais importante estudo sobre as viagens da Grande São Paulo) de 2007, ele diz que três em cada quatro caminhões que circulam na capital têm como destino a própria cidade. "Fazemos modelos no computador para estimar o tráfego viário. Essa restrição criou um modelo ao vivo, já sem os caminhões, como se o Trecho Norte já fosse usado", diz.

Sua conclusão, com base nos dados da CET, é de que a retirada dos veículos pesados acaba não trazendo alívio ao trânsito porque o espaço é rapidamente ocupado por carros. "O Rodoanel será mais útil para quem está em Osasco e precisa ir a Guarulhos."

Saturação. Para o professor de Engenharia de Tráfego Creso de Franco Peixoto, da Fundação Educacional Inaciana (FEI), os números mostram que o congestionamento da capital está se acelerando até chegar ao que os engenheiros classificam como "saturação plena". "É um travamento generalizado, que precisa de agentes para desatar os nós nas bordas da cidade."

Ele diz que isso ocorre quando a via ultrapassa a capacidade de operar, recebendo mais veículos do que sua capacidade de escoamento de tráfego. / B.R. e R.B.

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