Programas bem avaliados e restritos não ajudam Kassab

Na percepção da população, soluções apresentadas pelo prefeito não foram suficientes para evitar piora do que realmente importa

O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2012 | 02h03

A maioria dos projetos mais simbólicos da gestão de Gilberto Kassab na Prefeitura de São Paulo é conhecida e bem avaliada pela população. Mesmo assim, ele deixa o cargo com a menor popularidade de um prefeito desde 2000. O que está por trás dessa aparente contradição? Análise feita pelo Estadão Dados da pesquisa Ibope dá pistas para decifrar o enigma.

Após fazer as questões clássicas sobre avaliação e confiança no prefeito, o Ibope aplicou duas baterias de perguntas. A primeira pediu aos paulistanos que dissessem, entre 22 itens, quais tinham melhorado e quais tinham piorado durante o governo Kassab. Em seguida, uma outra bateria mediu o grau de conhecimento, aprovação e uso de 22 programas da prefeitura.

Ao final, o Ibope repetiu o trio de perguntas sobre a popularidade do prefeito. O objetivo era verificar se o fato de o paulistano opinar sobre as soluções do atual governo afetaria a avaliação que ele faz de Kassab. O efeito foi mínimo.

Entre o começo e o fim da pesquisa, a taxa de ótimo/bom foi de 27% para 28% e a de ruim/péssimo caiu de 42% para 39%. O porcentual dos que aprovam a gestão Kassab foi de 35% para 37%, mas os que não confiam no prefeito continuaram em 66%.

Segundo a CEO do Ibope Inteligência, Marcia Cavallari, "isso mostra que Kassab não conseguiu capitalizar a boa avaliação dos projetos em favor de sua imagem pessoal (mesmo tendo melhorado após a campanha eleitoral). Aparentemente, a formação do PSD provocou uma rejeição pessoal que superou a gestão municipal".

Dos 22 programas avaliados pelo Ibope, 15 são conhecidos por entre metade (urbanização de favelas) e 89% (AMAs) da população. Mais: 21 dos 22 programas têm saldo de aprovação de pelo menos 64 pontos. Por que, então, isso não ajuda a melhorar a desgastada imagem do prefeito? A resposta tem dois componentes.

Problemas e soluções. Em primeiro lugar, a abrangência das soluções. O Ibope indagou aos paulistanos se eles tinham usado alguma vez 13 dos 22 programas em relação aos quais a pergunta faz sentido - o paulistano usa ou não o Leve Leite, mas não usa o Natal Iluminado. Com exceção das AMAs (Assistências Médicas Ambulatoriais), bem menos de metade da população usou ou se beneficiou diretamente de qualquer um dos outros 12 programas.

Alguns dos mais bem avaliados, como Mãe Paulistana, Remédio Gratuito em Casa, Virada Esportiva e os CEUs beneficiam diretamente apenas dois em cada dez paulistanos, quando muito. Logo, na sua grande maioria, os programas da Prefeitura fazem sucesso, mas para uma fatia restrita da população da cidade.

O segundo componente da resposta sobre a impopularidade de Kassab é a gravidade dos problemas da cidade. Dos 22 itens avaliados pelo Ibope, 12 mais pioraram do que melhoraram durante o governo do atual prefeito, de acordo com a pesquisa. Isso não deveria ser um problema grave para a popularidade de Kassab, já que dez mais melhoraram do que pioraram.

Dois detalhes fazem toda a diferença. Os problemas que mais pioraram aos olhos do público são os mais importantes e universais: saúde, segurança, educação, trânsito e transporte público. E a piora foi muito mais intensa do que a melhora. A saúde piorou para 47% da população e melhorou para 7%: saldo negativo de 40 pontos. O item que mais melhorou - a limpeza pública - teve saldo positivo de apenas 12 pontos.

Em resumo, a pesquisa Ibope indica que, na percepção da população, os principais problemas de São Paulo ficaram ainda maiores durante o atual governo e as soluções apresentadas por Kassab, embora bem avaliadas, foram restritas demais para evitar a piora do que realmente importa. / JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO

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