Tiago Queiroz|Estadão
Tiago Queiroz|Estadão

Programa de urbanização de favelas tem obras paralisadas

Construções estão paradas na Ponte dos Remédios, na zona oeste, e na Viela da Paz, na zona sul; moradores reclamam de abandono

Adriana Ferraz, Luciana Amaral e Tiago Queiroz, O Estado de S. Paulo

29 Novembro 2015 | 03h00

SÃO PAULO - A dificuldade da Prefeitura em entregar as 55 mil moradias também se traduz no programa de urbanização de favelas, desenvolvido com recursos do Tesouro Municipal. Por enquanto, apenas 31% das 5,8 mil unidades prometidas até 2016 foram entregues, segundo a gestão Haddad. Outras 2,1 mil estão oficialmente em construção, apesar de parte delas estar com o canteiro de obras paralisado.

Foi o que constatou a reportagem em visitas às obras iniciadas em terreno próximo da Ponte dos Remédios, na zona oeste, e na Viela da Paz, zona sul. Em ambas não havia funcionários trabalhando, só seguranças. 

No primeiro caso, o plano era entregar 181 apartamentos divididos em dois prédios. Os dois já estão de pé, mas em função do abandono foram pichados. Já as obras na Viela da Paz, favela no Morumbi, começaram em 2012 (ainda na gestão Gilberto Kassab, do PSD) e deveriam ter sido finalizadas até o primeiro semestre deste ano.

O auxiliar de serviços gerais José Antônio Santos, de 49 anos, mora na favela há 26 e está na fila de espera da moradia há sete. “Destruíram tudo, não terminaram as obras e não canalizaram o córrego. O prédio é só o esqueleto”, reclama.

Inês da Silva, de 29 anos, também aguarda pela conclusão do projeto. Ela diz que as obras paradas provocaram uma infiltração nas paredes da casa onde mora na favela. “Um rapaz da obra disse que não tem previsão de o prédio sair. É sujeira, barro e minhoca. Até chorei de tanta água que já entrou no quarto do meu filho de 3 anos. Ele foi parar no hospital com contaminação bacteriana”, conta.

Apesar do relato da reportagem e dos moradores, a Prefeitura afirma que a obra nunca foi paralisada. 

Desistência. Sobre os prédios da Ponte dos Remédios, o governo informou, em nota, que eles foram paralisados em abril por causa da desistência da construtora. Segundo a Prefeitura, as obras foram retomadas no dia 23 deste mês, sob responsabilidade de outra empresa.

Para o presidente da comissão de Direito Urbanístico da Seção São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), Marcelo Manhães, o projeto de urbanização de favelas está abandonado. “Os recursos foram minguando nos últimos anos. Não tem dinheiro para construir novas unidades.”

Manhães também considera que o governo não está concentrado em beneficiar a população mais carente. “Falta efetividade para terminar obras. A Prefeitura não vai entregar nem 12 mil unidades. Meta cumprida é imóvel concluído e entregue”, conclui. 

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