Marcos Müller/AE
Marcos Müller/AE

'Professores' vão dar aula a jurados no sambódromo

Medida faz parte de ajustes feitos pela Liga para evitar tumulto como o da apuração de 2012; 75% dos julgadores foram trocados

Tiago Dantas,

16 Janeiro 2013 | 22h39

Após a tumultuada apuração das notas no ano passado, a Liga das Escolas de Samba de São Paulo decidiu fazer uma série de mudanças na avaliação dos desfiles para o carnaval 2013. Apenas 13 dos 54 jurados que atuaram em 2012 foram mantidos. Para tentar diminuir brigas sobre pontuação, cada um dos nove quesitos terá um "professor".

Nove avaliadores que atuaram no carnaval paulistano em anos anteriores foram escolhidos para a nova função. Para chegar à lista, o departamento técnico da Liga comparou as notas dadas por eles em 2012 a gravações dos desfiles. Os presidentes das agremiações tiveram a oportunidade de vetar os nomes. Chamados de coordenadores de jurados, eles puderam convidar, cada um, seis novos avaliadores.

"Escolhemos os jurados que tiveram o melhor aproveitamento em cada quesito para serem os coordenadores", afirma Paulo Sérgio Ferreira, presidente da Liga e da Unidos de Vila Maria. "Eles são como professores. E já estão dando o treinamento para os 54 jurados que eles mesmo indicaram", explica.

Os alunos já receberam, segundo a Liga, o Manual do Julgador, onde são explicados critérios técnicos que devem ser levados em conta na avaliação. O jurado responsável por mestre-sala e porta-bandeira, por exemplo, terá de avaliar a leveza, a coreografia e a fantasia do casal que leva o estandarte de cada agremiação.

Do grupo de 54 possíveis julgadores, 45 serão escolhidos para avaliar os desfiles do Grupo Especial nos dias 8 e 9 de fevereiro. Os nove restantes - um para cada quesito - ficarão como suplentes. Ao contrário do ano passado, quando cada quesito foi avaliado por três jurados, neste ano as notas serão dadas por cinco pessoas. A pontuação máxima e mínima de cada quesito para cada escola será descartada; as outras três serão somadas.

Cópia

Outro problema que a Liga pretende evitar após o quebra-quebra do ano passado, quando avaliações foram rasgadas, impedindo a divulgação do resultado final durante a apuração, é a falta de cópias de segurança das notas e das justificativas dadas pelos jurados. As avaliações continuam sendo preenchidas a mão, mas em um papel que, similar a papel carbono, produzirá uma cópia na folha de baixo. Os originais serão colocados em envelopes que seguirão para a apuração, enquanto as cópias serão guardadas pela Polícia Militar.

No dia da apuração, cada escola poderá levar dez pessoas, entre dirigentes e sambistas, que deverão ser credenciados. Cada convidado receberá uma pulseira com marca d’água e identificação digital que permitirá à Liga identificar seu dono. No ano passado, Tiago Ciro Tadeu Faria, que se apresentava como dirigente da Império da Casa Verde, foi o primeiro a invadir o palco da apuração e rasgar as notas.

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