Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Professores protestam e Alckmin suspende palestra no interior

Grupo, com cerca de 80 pessoas, se manifestava contra o projeto do governo estadual de reorganizar as escolas por ciclos

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

15 de outubro de 2015 | 19h23

SOROCABA - Professores, estudantes e pais de alunos invadiram o auditório da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), em São José dos Campos, onde estava prevista uma palestra do governador Geraldo Alckmin (PSDB), na tarde desta quinta-feira, 15. O grupo com cerca de 80 pessoas protestava contra o projeto do governo estadual de reorganizar as escolas estaduais por ciclos, conforme a faixa etária. Com isso, os alunos teriam de mudar de escola no próximo ano.

Faixas com os dizeres "Alckmin, não feche minha escola" e "Basta de fechamento de escolas e demissões", foram estendidas à frente da mesa das autoridades. A participação no evento estava prevista na agenda oficial do governador. Alckmin falaria no seminário sobre boas práticas na gestão pública para prefeitos e lideranças da região.

Os manifestantes ocuparam o salão antes da entrada do governador. Depois de meia hora, eles foram convencidos pela comandante da Polícia Militar na região, Eliane Nikoluk, a deixar o recinto, mas o governador desistiu da palestra. De acordo com a assessoria da universidade, o evento prosseguiu sem a presença do governador.

De manhã, cumprindo agenda em São José do Barreiro, o governador confirmou os estudos para reaproveitar melhor as escolas do Estado, mas afirmou que não há definição sobre a reestruturação. "Não tem nenhuma decisão ainda. Nós temos capacidade para 6 milhões de alunos e temos 4 milhões. Nós temos 2.500 classes ociosas. Nosso objetivo, tendo espaço, é reorganizar para melhorar a qualidade da educação", afirmou.

Outros protestos. Professores e alunos da rede estadual fizeram protestos nesta quinta-feira, Dia do Professor, contra o projeto do governo estadual de reorganização das escola públicas, em outras cidades do interior. Em Campinas, cerca de 150 estudantes caminharam pelas ruas do centro, até a frente da sede da prefeitura. Professores se juntaram à manifestação. Com faixas e cartazes, o grupo ocupou ruas centrais, gerando lentidão no trânsito. 

Em Sorocaba, o protesto organizado pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) reuniu cerca de 40 docentes com bandeiras e faixas. O grupo se reuniu em frente à Diretoria Regional de Ensino e caminhou até a praça Fernando Prestes, no centro da cidade, abordando pessoas para pedir apoio contra a proposta do governo. 

De acordo com Magda Souza, dirigente do sindicato, o projeto vai quebrar o vínculo do aluno com a escola e pode gerar demissões. Em Bauru, 50 professores da rede estadual, segundo a Guarda Municipal, protestaram em frente à Câmara contra o projeto do governo e por melhorias no ensino.

Na capital paulista, quatro horas após o início do protesto dos estudantes da rede pública contra a reestruturação, mascarados tentaram derrubar o portão do Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, na zona sul da capital paulista, e invadir o local pelo portão 2, destinado a visitantes.

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