Divulgação/Polícia Civil
Divulgação/Polícia Civil

Professor preso por pornografia infantil fez mais de 300 vídeos de alunas

O Tribunal de Justiça (TJ-SP) decretou a prisão preventiva de Ivan Secco Falsztyn, de 54 anos, suspeito de filmar escondido alunas da St. Nicholas School

Felipe Resk e Renata Cafardo, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2020 | 17h20
Atualizado 19 de fevereiro de 2020 | 22h21

SÃO PAULO - Preso por suspeita de produzir e armazenar material pornográfico, o professor Ivan Secco Falsztyn, de 54 anos, confessou ter feito mais de 300 vídeos de alunas da St. Nicholas School, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo. A informação consta em interrogatório do suspeito, feito pela Polícia Civil, obtido pelo Estado.

Falsztyn foi detido em flagrante após os policiais cumprirem mandado de busca e apreensão na casa dele, também em Pinheiros, na manhã de terça-feira, 18. O docente teve a prisão preventiva decretada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) em audiência de custódia realizada nesta quarta-feira, 19.

Segundo as investigações, o professor usava caixas de remédio para esconder uma câmera digital e, assim, filmar partes íntimas de alunas durante aulas de História e Teatro. Agora, investigadores querem saber se o conteúdo pornográfico era comercializado - o que Falsztyn negou durante o interrogatório.

Em depoimento, o suspeito afirmou que "acredita ter realizado mais de 300 gravações". Ele diz, ainda, que fazia as gravações ilegais há menos de quatro anos e que "as meninas que aparecem nas imagens são todas suas alunas". As idades das vítimas variam entre 11 e 17 anos, de acordo com o professor.

Durante o interrogatório, Falsztyn disse que usava a câmera "sempre no ambiente da sala de aula posicionando-a no chão e em uma prateleira de frente de seus alunos". "O interrogado confessa ter produzido todos os materiais e que ninguém o auxiliou na produção dos vídeos", diz o documento. 

Falsztyn é um dos 43 presos da Operação Luz da Infância, ação contra pornografia infantil feita pelas Polícias Civis de 12 Estados, sob coordenação do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Na ocasião, os agentes apreenderam computadores, hds, pendrives, cds, além da câmera digital usada pelo professor.

Responsável pela prisão, a delegada Ivalda Aleixo, divisionária do Departamento de Capturas, estima que a polícia apreendeu ao menos 200 horas de material ilícito. As imagens variam de duração: há vídeos de poucos minutos e também gravações de aulas inteiras, com mais de 1h30. 

Após avaliação inicial da Polícia Civil, os vídeos foram enviados para que a perícia faça análise e elabore laudos. "Em um ou outro vídeo, você vê que ele tenta colocar a menina no ângulo em que ele pegue a calcinha", diz a delegada. "Em outro, é nítido que ele posicionou embaixo da carteira e tudo indica que é durante uma prova de História."

A Polícia Civil suspeita, entretanto, que Falsztyn pode ter apagado outros vídeos dos aparelhos apreendidos. Por isso, deve usar programas para recuperar arquivos deletados. 

Até o momento, não há queixa ou indício de que o professor tenha cometido abuso sexual físico contra as estudantes. O Estado apurou que a escola está analisando suas câmeras de segurança para tentar identificar algum movimento suspeito do professor. Os investigadores também devem colher depoimentos nos próximos dias.  

O professor trabalhava na escola havia 20 anos e tinha uma sala exclusiva, onde a polícia suspeita que foi feita parte das gravações. Nesta quarta, a St. Nicholas School divulgou nota informando que afastou o docente.

Suspeito passou a ser monitorado após baixar conteúdo relacionado à pedofilia

Falsztyn entrou no radar da polícia após baixar do computador de casa conteúdo relacionado à pedofilia. Os investigadores conseguiram levantar o IP da máquina e passaram a monitorá-lo. Até cumprir o mandado de busca e apreensão, no entanto, os agentes não sabiam que ele produzia vídeos das próprias alunas.

No interrogatório, o professor alega que baixava "este tipo de arquivo da internet desde o ano de 2009" e depois excluía do computador. A Polícia Civil investiga se ele também fazia uso da deepweb - o "submundo da internet" que só pode ser acessado por softwares específicos.

Segundo a investigação, Falsztyn costumava ser o primeiro professor a chegar à escola e aproveitaria o momento para posicionar a câmera. Algumas vezes, levava o equipamento à tiracolo, segundo relatou.

Além das caixas de remédio, segundo contou à polícia, o professor já usou embalagens de leite para esconder a filmagem. "Ninguém lhe ensinou a realizar o artifício da caixa para colocar a câmera e que desenvolveu por conta própria", diz o documento.

Com o suspeito, os policiais apreenderam três caixas de calmante e outra de um antialérgico. Elas eram furadas para facilitar a gravação. À polícia, Falsztyn contou que faz uso desses medicamentos e que sofre de insônia.

Ele também negou já ter usado os remédios para dopar alguma criança. "Não se recorda ter realizado qualquer tipo de ato libidinoso ou toque em suas alunas", diz o depoimento. "Por fim, esclarece que todos os vídeos produzidos ou baixados da internet tinham por motivação o seu proprio consumo e que em momento algum disponibilizá-los ou comercializá-los."  

No Brasil, a pena para quem armazena conteúdo relacionado aos crimes de exploração sexual varia de 1 a 4 anos de prisão, de 3 a 6 anos pelo compartilhamento e de 4 a 8 anos de prisão pela produção.

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