Professor mata aluna a tiros no DF

Inconformado com fim de romance, ele deu dois tiros na cabeça da estudante de Direito e levou o corpo até delegacia para se entregar

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2011 | 03h01

O professor de Direito Rendrik Vieira Rodrigues, de 35 anos, planejou e executou o assassinato da aluna e ex-namorada Suênia Sousa Faria, de 24 anos, com frieza, sem dar chance de defesa à vítima e tudo porque não aceitava o fim do relacionamento. Antes, impôs à aluna a humilhação de telefonar ao marido, com quem havia se reconciliado, para mentir dizendo que havia retomado o romance com o docente.

Essas são as primeiras deduções da Polícia Civil de Brasília após tomar o depoimento do assassino, de familiares da vítima e de alunos do Centro Universitário de Brasília (Uniceub), local em que os dois iniciaram um romance que durou cerca de um ano. O professor disse à polícia que estava arrependido e agiu sob forte emoção, mas entrou em contradição e será indiciado por homicídio doloso, cuja pena vai de 12 a 30 anos de reclusão.

O crime ocorreu na tarde de anteontem. Rendrik esperou a aluna na saída da faculdade, na Asa Norte, e a chamou para uma conversa. Ele assumiu o volante do carro de Suênia, um Sandero que pertence ao marido dela. O diálogo terminou em discussão ríspida e, ao perceber que não havia solução, ele sacou uma pistola calibre 380 e deu três tiros na aluna, dois na cabeça e um no tórax. Suênia morreu na hora.

Após rodar por horas com a vítima no carro, o professor se entregou. Rendrik foi preso em flagrante na delegacia e vai para o complexo presidiário da Papuda. Ele confessou que foi armado ao encontro com a jovem, mas não explicou de quem comprou a arma nem se treinou tiro.

Segundo apurou a polícia, a estudante, talvez já desconfiada das intenções do algoz, procurou dar pistas do risco que corria nas duas ligações feitas para familiares pouco antes do crime.

Na primeira ligação, às 15h31, Suênia disse à irmã Silene Faria que a veria em seguida, embora o encontro não estivesse previsto. Dez minutos depois, telefonou ao marido e disse que estava reatando com o professor. Como ela estava com a voz embargada e disse coisas sem sentido, o marido desconfiou e foi à delegacia fazer boletim de ocorrência.

Quando se apresentou espontaneamente, dizendo-se "arrependido", o professor de Direito não sabia do registro feito pelo marido da vítima e, para a polícia, fez isso para evitar a prisão.

Além de intimidar a estudante, Rendrik já teria enviado mensagens eletrônicas ao marido dela, relatando detalhes do namoro com Suênia. "Ele a perseguia", diz Silene, irmã da vítima,

O professor nega a perseguição. Além de lecionar no Uniceub, ele era coordenador do curso de Direito da Faculdade Projeção. As faculdades informaram ontem que o docente será demitido. Colegas e alunos dizem que Rendrik, sem passagem pela polícia, era tranquilo e atencioso.

O corpo da universitária será sepultado hoje no cemitério de Taguatinga. Ela nasceu em Pombal, Paraíba, vivia em Brasília desde os 3 anos e queria ser delegada. Era caçula de quatro irmãos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.