Professor feito refém é morto em ação policial

Ele estava entre os 9 mortos suspeitos de assalto em Itamonte; família diz que ele havia sido pego pelos bandidos

Rene Moreira, Especial para o Estado / FRANCA, O Estado de S.Paulo

25 Fevereiro 2014 | 02h01

Morto por policiais como um dos assaltantes que atacaram caixas eletrônicos na madrugada de sábado em Itamonte, sul de Minas Gerais, o professor Silmar Júnior Madeira, de 31 anos, teria morrido por engano.

Testemunhas contaram que ele foi abordado por um dos bandidos da quadrilha, que pegou o seu carro e o levou junto como refém. Durante confronto com a polícia, ele acabou morto junto com outros oito integrantes do bando, suspeito de roubo. Cinco pessoas foram presas na ação policial.

De acordo com a família do professor, ele havia saído da casa da namorada, na cidade de Itanhandu, a 15 quilômetros de Itamonte, quando foi feito refém ao entrar no seu carro. Até a noite de ontem, a polícia investigava a possibilidade de erro. Segundo o delegado João Eusébio Cruz, de Pouso Alegre (MG), um dos que investigam o caso, seriam analisadas as ligações telefônicas do professor.

A ação foi deflagrada após investigações e um trabalho conjunto que envolveu as polícias de Minas, Rio e São Paulo. Cerca de 150 policiais civis e militares participaram da operação. Sete carros usados pelos bandidos foram apreendidos. De acordo com a polícia, a quadrilha pretendia estourar cinco caixas eletrônicos de Itamonte e dominar o pelotão da Polícia Militar local. Alguns dos mortos estavam no banco e outros nas imediações da sede da PM.

A quadrilha era monitorada havia mais de dois meses. Os assaltantes, que saíram de São Paulo, estavam fortemente armados. Assim que explodiram um primeiro caixa dentro de uma agência do Bradesco, foram surpreendidos pelos policiais. Após o confronto, a polícia apreendeu fuzis, espingardas calibre 12, pistolas, dinamites, munições e coletes à prova de bala.

Alguns integrantes foram presos em outras cidades. Um deles estava em um condomínio de luxo em Arujá, interior de São Paulo, com cédulas manchadas de tinta vermelho, por causa do dispositivo de segurança do caixa eletrônico. Outro suspeito foi pego em Guaratinguetá. Segundo a polícia, a maior parte do bando era de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.

Outro morto. Na madrugada de ontem, mais um homem que estaria envolvido no roubo foi morto pela polícia. Em companhia de outro suspeito, ele teria feito refém o dono de um restaurante para tentar sair de Minas, após permanecer escondido por dois dias. O carro foi interceptado perto de São José dos Campos. Durante tiroteio, um morreu e o outro foi preso. A vítima feita refém foi libertada sem ferimentos.

Policiais. Ontem, o secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, disse que não descarta a possibilidade do envolvimento de policiais na quadrilha. "Nós não negamos isso, já houve até casos recentes. Isso é lamentável e nós estamos agindo com rigor. Não temos dificuldade em apurar e punir. Porque esses não são policiais, eles são criminosos perigosos que se utilizam da função para poder dar cobertura e respaldo a ação desses criminosos."

Segundo o secretário, essa quadrilha foi responsável por mais de 20 ataques. Entre eles, o de Piracaia, na madrugada do dia 15. / COLABOROU LAURA MAIA DE CASTRO

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